PEC das domésticas: a classe média e o afeto

Com açúcar com afeto, fiz seu doce predileto, pra você parar em casa...

Com açúcar com afeto, fiz seu doce predileto, pra você parar em casa…

Por Bruno Pavan

Nesta semana foi aprovada a PEC que dá direitos aos (às) empregados (as) domésticas. Agora eles terão direito a FGTS, hora extra, jornada de trabalho semanal, seguro-desemprego, licença maternidade e algumas coisas que Vargas já tinha garantido a outros profissionais mais de 60 anos atrás.

Mas a Casa Grande, com medo de perder seus privilégios na sociedade brasileira, esperneia.

O símbolo mor da aristocracia no principado de Higienópolis, o Entre Aspas da Globo News, reclama: “como a classe média bancará direitos como a creche para o filho pequeno da doméstica?”

O brasileiro, principalmente a classe média, se acostumou com coisas que, como diz o bordão antigo do Zorra Total: não lhe pertencem mais!!!

A especialista presente no programa diz que: “a relação entre empregada e patroa tem um afeto”.

Não questiono que exista mesmo essa relação. Empregadas que trabalham a mais de 20 anos em uma casa, que viram os filhos dos patrões crescerem e tudo mais. Acontece que isso não pode fazer com que a doméstica, o jardineiro, o motorista trabalhe 18 horas por dia, não tenha hora de sair do trabalho.

A grande página virada é que a classe média não vai mais ter empregada sete dias por semana em casa. E vai ter que se acostumar com isso. Não tem dinheiro para bancar creche para os filhos dos empregados? Não banque um empregado. Dirija seu próprio carro, limpe sua própria casa, corte sua própria grama!

Um grande debate está por vir, mas aconselho que se ligue o “hipocrômetro” em tempos de redes sociais e de rios de chorume pela rede. A pobre classe média, tão violentada em anos de “bolsa esmola” continuará reclamando importando revoltas que seriam da elite, e continuarão pautando sua relação com a empregada na base do afeto.

Clique aqui e veja o Entre Aspas

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