O parto é da mulher

Por Bruno Pavan

Muitos de nós já ouvimos frases feitas sobre o feminismo: falta de louça na pia, falta de bolo pra bater e falta de outra coisa que não vou dizer por ser imprópria para o horário.

Tá, meu bom reaça, vamos supor, então, que todas as louças já foram lavadas pelas pias dos direitos humanos no mundo, ok?

Fora o fato de mulheres morrerem só pelo fato de serem mulheres, serem estupradas e culpadas por vestirem roupas consideradas curtas pelos animais que não conseguem se controlar por aí, elas também são desrespeitadas por profissionais de medicina no parto.

Por razões biológicas, eu jamais vou engravidar. Mas imagino que um dos momentos mais sensíveis para uma mulher é na hora do nascimento de seu filho ou filha.

Sensível mental, física e psicologicamente falando. Ter uma vida dentro da sua barriga não deve ser tarefa das mais tranquilas.

Como se não bastasse, por inúmeras vezes, serem mães solteiras abandonadas pelos maridos e não ter apoio da família, ver o profissional que você escolheu para tirar seu filho de dentro de você te violentar com palavras e procedimentos errados deve ser uma sensação indescritível.

A agência Pública fez uma matéria contando a experiência pessoal que uma mulher que sofreu desse tipo de violência e trouxe dados assustadores do quanto isso é comum no país.

O conceito de violência obstétrica é: “qualquer ato ou intervenção direcionado à mulher grávida parturiente ou puérpera (que deu à luz recentemente), ou ao seu bebê, praticado sem o consentimento explícito e informado da mulher e/ou em desrespeito à sua autonomia, integridade física e mental, aos seus sentimentos, opções e preferências.”

A matéria completa está aqui, nela também está contida informações da pesquisa “Mulheres brasileiras e Gênero nos espaços público e privado”. A mais alarmante é que 25% das mulheres disseram ter sofrido alguma violência durante o parto.

Fica aqui nosso apoio a todos os movimentos que pregam a humanização do parto. Acima de qualquer coisa, o parto é da mulher.

E, de saber que existe este tipo de violência, ver a hipocrisia de quem diminui o debate sobre o aborto me deixa com mais preguiça ainda

Veja o documentário sobra a violência obstétrica:

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