Jair Bolsonaro perde a empregada. E ainda sim, ele não entende

Sugestão do colaborador João Andrade,

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Ele não entendeu nada

Deu no Extra:

Ontem, dia em que a PEC das Domésticas foi votada no Senado, Eliana Monteiro, de 46 anos, começou em um novo emprego. Ex-empregada do deputado federal Jair Bolsonaro (PP/RJ) – contrário à proposta -, Eliana pediu dispensa da casa do parlamentar anteontem.

A arrumadeira conseguiu um emprego em que ganhará R$ 2 mil, em lugar dos R$ 1.500 que recebia na casa do político, além de manter os mesmos benefícios concedidos.

– Ele é um patrão muito bom e recolhia meu FGTS. Nunca atrasou nada, muito pelo contrário. Nem descontava do meu salário o que recolhia para o INSS – contou Eliane, que ficou na casa de Bolsonaro por um ano e meio e, a cada 15 dias, ganhava passagens para visitar a família em Campos (RJ).

Para o deputado, a PEC das Domésticas vai gerar uma onda de demissões que pode atingir até 50% das empregadas:

– A minha preocupação é não deixar que as domésticas fiquem na informalidade e com dificuldade de arranjar emprego. Muitas delas, que hoje têm carteira assinada, serão reaproveitadas como diaristas. Isso acontecerá porque o patrão que ganha um salário entre R$ 3 mil e R$ 4 mil terá dificuldade para pagar uma funcionária com esses novos encargos. Acho importante dar os direitos para os trabalhadores, mas, na prática, quero ver como o patrão vai pagar. Muitas empregadas vão acabar dependendo do Bolsa Família.

Saindo do Foco

Por Murilo Silva

O que o “bem intencionado” Jair Bolsonaro parece não entender é que a filha da dona Maria não será mais doméstica.

Segundo a ONU, existem 52 milhões de trabalhadores domésticos no mundo – esse número não leva em consideração o trabalho infantil, devem ser muitos mais.

Desse 52 milhões, a maioria absoluta é de mulheres, 83%; 29,9% estão excluídos da legislação laboral nacional; 45% não têm direito a período de descanso semanal ou férias anuais remuneradas. Mais de 1/3 das trabalhadoras domésticas não têm direito a proteção à maternidade.

Do universo de 52 milhões de empregados domésticos no mundo, 19 milhões estão na América Latina e Caribe; e não menos que 7,2 milhões de empregados domésticos estão neste continente chamado Brasil.

O Brasil é o país com mais empegados domésticos no mundo segundo a Organização Internacional do Trabalho, órgão da ONU.

Tos os países desenvolvidos juntos somam 3,6 milhões de empregados domésticos, é a metade do que o Brasil tem sozinho.

Esses 7,2 milhões de trabalhadores, ou melhor, trabalhadoras, engrossava até ontem a estatística dos 29% de trabalhadores domésticos que estão excluídos da legislação laboral nacional.

A PEC das empregadas é uma revolução silenciosa.

É a segunda abolição, como manchetou a Zero Hora.

As domésticas não ficaram sem emprego. Porque muitas delas já foram para o call-center, para o comércio, serviço, indústria e construção civil.

Como disse Delfim Neto: “um processo civilizatório esta em marcha. A empregada doméstica foi pro call-center, virou manicure e passou a tomar banho com sabonete Dove.”

Não é comunismo! É capitalismo, estúpido.

O trabalho doméstico não é mais para o bico da classe média.

Bem vindo a civilização, meu bom reaça.

Em tempo: Leia trechos de um excelente artigo sobre o tema na Fobes – tradução livre.

Kenneth Rapoza da Forbes, conta sua experiência como correspondente no Brasil:

“Eu vivi no Brasil por 10 anos. Saí em março de 2010. Empregadas faziam meu almoço: arroz, feijão e carne. Salada. Sobremesa. Refresco, suco de laranja ou limonada suíça ou maracujá ou guaraná. Em seguida, ela lavava a louça. Depois, lavava e passava minhas roupas.” […] “Eu pagava R $ 80 por dia, ou R $ 140 por semana, cerca de US $ 78 para dois dias completos de trabalho.” […]

“Uma colunista do jornal Folha de São Paulo também morava no prédio (em Higienópolis). Ela tinha uma filha. Só a filha tinha uma empregada e uma babá, sete dias por semana. Era uma colunista de 40 e poucos anos de um jornal tradicional, não uma estrela de rock.” […]

“A renda de empregadas domésticas brasileiras aumentou em média 6,7 por cento em apenas um ano, em termos reais. O aumento do salário causa um constante declínio no número de trabalhadores domésticos no mercado.” […] ” Os pobres têm coisas melhores para fazer do que trabalhar para adolescentes de classe média que ainda não aprenderam nem a dobrar e guardar as suas próprias camisetas.”

“Salários elevados – escassez. Muitos brasileiros não podem mais pagar empregadas. Bem-vindo ao seu sonho americano, Brasil !”

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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2 respostas para Jair Bolsonaro perde a empregada. E ainda sim, ele não entende

  1. Pingback: PEC das empregadas segundo as “Mulheres Ricas” |

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