O que te representa?

A Galo Queer me representa

Por Bruno Pavan

Nesta semana este blog levantou uma discussão do que será o pós-lulismo no Brasil.

A questão do respeito diversidade ganhou muito terreno de uns anos pra cá. Muito mais do que a aposta no meio ambiente, que é mais usada pelo capitalismo para agregar valor a produtos do que propriamente para discutir um plano para o futuro.

Acontece que grande parte das “instituições” brasileiras ainda levam consigo o ranço da homofobia e da intolerância.

Talvez o cenário mais hostil para essa questão por aqui seja o futebol. Mais do que a gozação entre torcedores, a coisa já tomou contornos muito mais perigosos.

O volante Richarlyson, atualmente no Atlético Mineiro, é “acusado” constantemente de ser homossexual.

O acusado, infelizmente, não é só figura de linguagem.

O jogador já teve passagem pela seleção brasileira, alternou bons e maus momentos na carreira, mas é quase sempre lembrado por sua suposta orientação sexual.

Richarlyson nunca disse publicamente ser gay.

Nos EUA, um jogador assumidamente gay teve que encerrar a carreira de forma precoce aos 25 anos.

O norte-americano Robbie Rogers teve passagem pelo futebol holandês e inglês além de jogar pelo seu país e pela seleção nacional. “No futebol é obviamente impossível se assumir homossexual”, disse em entrevista após a confirmação do encerramento da carreira.

Na Alemanha, a torcida do St. Pauli (time mais legal do mundo) fez um manifesto em solidariedade a Rogers. Leia aqui o texto do site Trivela.

Por aqui, algumas formigas tentam mover o mamute do preconceito.

Nesta semana veio a conhecimento do grande público a página Galo Queers no Facebook.

(Correção: Queer significa “estranho” e a palavra foi assumida pelos gays. Clique aqui para ler o significado correto. Dica do Idelber Avelar)

A ideia é dar um pouco de ar na discussão da homofobia no futebol e dentro das torcidas, mas é bem complicado.

A criadora da página vem sofrendo ameaças e não quer aparecer publicamente.

Clique aqui e leia a matéria do site Impedimento.

Vejam só, não foi um jogador que se assumiu gay, é apenas um grupo de pessoas que torcem para um time e são contra a intolerância.

Alguns torcedores do Atlético e de outros clubes protestam contra a página, mas se esquecem que o clube não pertence a ninguém.

Torcida organizada paga pra usar símbolo do clube em suas bandeiras e camisas? A resposta é não.

A Gaviões da Fiel não me representa! Não sou sócio da torcida e não acho que eles são mais corintianos que ninguém. Mas o símbolo do time que eu torço está lá, muitas vezes justificando atos de violência.

O futebol é o esporte bretão. Tem e sempre terá suma importância no comportamento das pessoas na sociedade. Esporte nenhum tem esse poder. Arejar as ideias e dar um passo em direção ao respeito a diversidade seria fantástico.

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