A Vida dos reaças – Primeiro Capítulo

o senhor é meu pastor e nada me faltará

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O dia a dia de Ricardinho: Apesar da enorme quantidade dessa espécie, estudos sobre seu comportamento são escassos. No entanto, isso vai mudar agora: para tentar entender melhor como essa espécie funciona, passaremos a acompanhar Ricardo, um tradicional reaça de São Paulo […]

Do colaborador José Coutinho Júnior especialmente para o Fora de Foco

Tanto numa cidade grande como São Paulo quanto em pequenas e isoladas províncias no interior do país, existe uma espécie curiosa de ser humano, conhecida pelos estudiosos como “reaça”. Os reaças, diminuição carinhosa do termo “reacionário”, resumidamente são pessoas com ideias conservadoras e opiniões baseadas no chamado “senso comum”. Mas a sua característica mais perigosa é a velocidade com que os reaças se proliferam.

Quem pensa que os reaças são uma parte pequena da sociedade provavelmente não viveu cinco minutos neste planeta. Dados científicos e inquestionáveis apontam que, na cidade de São Paulo, os reaças constituem, pelo menos, 93 % da população. Apesar da enorme quantidade dessa espécie, estudos sobre seu comportamento são escassos.

No entanto, isso vai mudar agora: para tentar entender melhor como essa espécie funciona, passaremos a acompanhar Ricardo, um tradicional reaça de São Paulo, observando seus hábitos, sua forma de agir, suas opiniões e os aspectos da sua vida que fazem dele um bom reaça. Nos sentamos com Ricardo para um bate-papo inicial, a fim de tentar ganhar sua confiança e entender brevemente sua forma de pensar.

Ricardo é o que chamaremos de “reaçam classicus estereotipus”, pois tem todas as características geralmente associadas com a espécie: é branco, de classe média-alta, se informa apenas pelos jornais da Globo, acredita que todas as mazelas do país são culpa do governo e odeia seu país pois, como ele constata infelizmente, “aqui não é os Estados Unidos”.

Ao observamos as opiniões de Ricardo, podemos notar que há uma certa contradição na forma de pensar de um reaça, pois apesar dele negar determinados posicionamentos que muitos classificariam como preconceituosos, ele imediatamente expõem dito posicionamento para justificar seu ponto de vista.

É o que chamaremos de “hipocrisia”. “Não sou racista, até tenho amigos negros que são muito trabalhadores. Mas um tipo de gente que não dá pra engolir são os nordestinos. Bando de preguiçosos que só sabem fazer filhos. Claro que são pobres, com famílias tão grandes assim. O pior é que são tão ignorantes que sempre votam no PT”.

Quando questionado sobre o que pensava dos homossexuais, Ricardo respondeu veementemente que não era homofóbico. “O que cada um faz da sua vida é problema dela. O que não dá pra aceitar é ver essas pessoas se beijando em público, é nojento e não está certo. Se quiserem fazer esse tipo de coisa imoral, façam isso a quatro paredes”, disse enquanto acessava um site pornográfico para ver um vídeo em que duas mulheres faziam sexo.

Ao assistir o Jornal Nacional dessa semana, se emocionou e ficou indignado com as mortes ocorridas em Boston, e espera que a justiça seja feita. “Violência é uma coisa terrível, não dá para entender como um ser humano faz uma coisa dessas com o outro”. Ao ficar sabendo das mortes recentes na periferia de São Paulo, na Venezuela, ou mesmo quando indagado sobre os constantes bombardeios na Síria, curiosamente Ricardo não apresentou a mesma compaixão com seus semelhantes. “Por mais triste que possa ser, essas coisas acontecem todo dia, fazer o quê”, afirmou.

Já era noite e deixamos a casa de Ricardo satisfeitos: nosso primeiro contato com a espécie havia sido um sucesso, e agora ele confiava em nós o suficiente para nos deixar mergulhar em sua vida e entender melhor como os reaças pensam. Ainda falta muito a aprender, e será uma tarefa penosa aguentar cotidianamente Ricardo, mas pelo bem da ciência, fazemos o sacrifício que for necessário.

No próximo capítulo de “A vida dos reaças”: quais são suas opiniões sobre assuntos mais polêmicos, como a redução da maioridade penal e o aborto? Como essa espécie se relaciona entre si? E como o senso comum se propaga entre os reaças? Fique ligado.

Mande você também seu texto para : foradfoco@gmail.com

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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6 respostas para A Vida dos reaças – Primeiro Capítulo

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  6. Carol disse:

    Este texto é tão superficial quanto um pires… Deu até vergonha.

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