A rebeldia que eu não quero seguir admitindo…

 

Lei de Talião: faça ao seu inimigo o que você não quer que ele faça com você

Por Bruno Pavan

Não é fato novo que os estados Unidos provocam muita rejeição entre o campo da esquerda política.

Sempre quando eles são alvos de ataques terroristas, alguém vai aparecer com uma lista de invasões promovidas pelos EUA.

Hiroshima e Nagazaki, Iraque, Afesganistão…

Como que houvesse uma troca justa entre mortes de inocentes: o governo norte-americano mata aqui, alguns terroristas do povo oprimido matam acolá, e tudo fica empatado.

O fato mais novo que balançou as estruturas ideológicas do mundo foi a atitude de Cristiano Ronaldo que não quis trocar de camisas com o jogador da seleção de Israel após a partida válida pelas eliminatórias europeias pra Copa de 2014

Israel não fica na Europa, vai reparar o mais atento observador.

Não, não fica. Israel joga as eliminatórias europeias por pura questão geopolítica. Teoricamente, o país  jogaria as eliminatórias asiáticas, mas aí se encontraria com as seleções do Irã e da Palestina.

Nada recomendável, há de convir o amigo colaborador.

Esse fato gerou uma notícia, difundida por alguns sites brasileiros, de que Ronaldo disse em entrevista na última sexta-feira que  “não trocava camisas com assassinos”.

Este editor vasculhou a internet na busca da entrevista em que essas palavras saiam da boca do Patrício. Não encontrou nada.

Mas isso não impediu comentários extremamente antissemitas por toda a rede.

Contrariando a frase do filósofo Chinês Confúcio, que dizia, sabiamente, que “fogo se apaga com água”, muitos comemoraram o suposto ato de rebeldia de Ronaldo.

Elogiam um ato que é idêntico ao que norte-americanos fazem com os muçulmanos: colocam todos num mesmo pacote de “terroristas”.

Pode-se dizer que Israel, patrocinado pelos norte-americanos, tem um governo assassino. Mas quando se crucifica um povo todo por atos de seu governo, está-se fazendo a mesma coisa que os opressores.

Vale lembrar do discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da Conferência da ONU em 2011: O Brasil tem o quê mostrar para o mundo, aqui judeus e muçulmanos andam de mãos dadas.

Quando a discussão parte para o Fla-Flu ideológico, não há inocentes. Nem há direita, nem há esquerda do campo.

O inferno são sempre os outros.

Em tempo: o olho-por-olho dente-por-dente leva a barbaridades como essa:

Índia: família de adolescente estuprada tenta suicídio coletivo; 2 morrem

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2 respostas para A rebeldia que eu não quero seguir admitindo…

  1. Evidente que não se deve confundir um povo com seu governo. Mas não estou certo se o suposto ato de Ronaldo teria sido tão condenável como você diz, se fosse real. Fosse um jogo no início dos anos 80 contra a África do Sul e a seleção sul-africana fosse toda branca, seria condenável que um jogador se recusasse a “trocar camisetas com racistas”?

    Lógico que eu sei que há uma minoria em Israel que vocaliza o descontentamento com o que faz o governo e grupos de judeus de dentro e de fora de Israel que se articulam em solidariedade ao povo palestino (como o pessoal do Jewish Voice for Peace). Talvez houvesse entre os jogadores de Israel alguém que fosse crítico ao governo, mas não é isso que importa, afinal uma seleção é um símbolo de um país, veste-se com as cores da bandeira e toca-se o hino antes da partida. Tivesse sido real o gesto de Ronaldo não teria sido mais que um gesto simbólico e pacífico de protesto contra um símbolo de um país cujo governo promove atos desumanos!

    Não apenas acho válido como acho necessário, tendo em vista que o governo de Israel parece poder promover todo tipo de atrocidade contra os palestinos sem que isso afete a imagem de “vítima” e/ou “xerife” que ocupa no mainstream, pouco importando se o governo de Israel promove ativamente a ocupação ilegal de territórios palestinos por “colonos”, se morrem cerca de 600% mais palestinos dos que israelenses em decorrência direta do “conflito” (http://www.ifamericansknew.org/stats/deaths.html), etc.

    Eu não vi os comentários os quais você chama de “antissemitas” para julgá-los, talvez o fossem mesmo. Mas há algum tempo eu li em algum lugar um artigo acadêmico publicado nos EUA (desculpe, não achei o link) sobre como o governo de Israel e as organizações judaicas anti-palestina dos EUA usam a acusação de antissemitismo para tentar, com sucesso, silenciar a crítica nos grandes meios de comunicação. O que é especialmente estranho nessa acusação é o seu emprego contra os defensores da causa palestina já que os palestinos são semitas.

    • brunopavan disse:

      O entusiasmo com as declarações faz o discurso virar opressor e intolerante.

      Não estou discutindo o ato do Cristiano Ronaldo (que não aconteceu), mas os comentários que aconteceram na internet sobre o SUPOSTO ocorrido.

      Israel comete abusos contra os Palestinos isso é claro e não está em discussão no post.

      Se o jogo fosse contra a África do Sul do Apartheid o ato também teria sido condenável, na minha opinião. É só lembrar que Mandela quando foi eleito promoveu um governo de coalizão com a parte branca do país.

      Alimenta-se o ódio nos dois lados e se justifica com o famoso “não fui eu quem começou”

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