Governo abre o pacote de bondades para o etanol

"bolsa usineiro"

“bolsa usineiro”

Por Murilo Silva

Ontem, esse blog teceu longamente sobre a polêmica do tomate e sobre a dinâmica da inflação dos alimentos. 

A conclusão a que chega esse blogueiro é que, tomate não se planta em Wall Street e que, portanto, subir os juros não resolve o problema dos alimentos.

Subir juros significa diminuir a demanda (menos emprego, menos renda, menos consumo).

Falar em diminuir a demanda de alimentos significa dizer que as pessoas tem de comer menos e, se necessário, deixar de comer.

(Veja que na opinião de um cardial da economia tucana “é preciso demitir mesmo”)

Esse blogueiro sugere que se aumente a oferta de alimentos. Como? Fazendo a reforma agrária, uma ampla reforma. Não é só distribuir terra, tem que dar mais segurança às famílias – são elas que plantam o tomate, o feijão, as verduras os legumes…

É preciso financiar insumo agriculta, financiar equipamentos para mecanizar a produção, investir em infra-estrutura de escoamento da produção e, sobretudo, garantir a compra de parte da safra a um preço mínimo – como fará a prefeitura de São Paulo.

Os baluartes do liberalismo nacional dizem que essas são medidas protecionistas. Mas essas vozes se calam quando o governo abre o pote de bondades para os grandes usineiros, produtores de cana-de-açúcar.

Veja no que consiste – com o perdão do plágio, meu bom reaça – o “bolsa usineiro” anunciado pela presidente Dilma:

  1. Elevação do percentual de mistura do etanol na gasolina, de 20 para 25%.
  2. Zerar o PIS e o Cofins do etanol, que hoje representam R$ 0,12 por litro.
  3. Redução de 9,5% para 5,5% ao ano na taxa de juros anual do Pró-Renova, financiamento para a renovação dos canaviais. No ano passado, o Pró-Renova ofertou R$ 4 bilhões em recursos, com desembolso de R$ 1,3 bilhão. Este ano, a oferta sera a mesma.
  4. Redução de 10% para 7,7% nas linhas para investimento em estocagem de etanol.

Em 2008 o investimento na cana-de-açúcar chegou a quase 7 bi com amplo apoio do governo. A contra partida foi zero. Isso porque o produtor tem a opção de produzir álcool ou açúcar, e ele vai para o melhor preço, largando o governo com a brocha na mão.

(Hoje na manchete do Estadão: “Usinas terão incentivos, mas preço do etanol não cai”)

Além disso, a produção de cana é responsável pela mais predatória forma de trabalho no campo. O governo esta apoiando uma campeã do trabalho escravo e do trabalho infantil, sem exigir nenhuma contrapartida quanto a modernização do sistema produtivo.

A dona de casa comum, mãe de família, que vai a feira e ao supermercado todos os dias, tem de se perguntar: Por que a dona Dilma é tão boa mãe para o agronegócio e tão má madrasta para o pequeno produtor?

Aonde estaria melhor empregado o seu dinheiro? Nas usinas de Ribeirão Preto ou nos assentamentos do MST onde famílias inteiras trabalham para produzir feijão, abobrinha, mandioca, alface, couve, tomate…

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
Esse post foi publicado em Economia. Bookmark o link permanente.

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