A vida dos reaças – Capítulo 2: Reprodução

os reaças e seu genoma

os reaças e seu genoma

Esse blog esta em uma excitante expedição pela vida dos reaças. Você pode ver aqui o primeiro capítulo desta saga. Hoje, mais um episódio dessa brilhante pesquisa do colaborador José Coutinho Júnior, especialmente para este Fora de Foco.

Por José Coutinho Júnior, 

Boa noite. Hoje em A vida dos reaças: pedimos a Ricardo, um reaça de marca maior que aceitou nos mostrar o habitat de sua espécie e seu cotidiano, como funciona o sistema reprodutor dos reaças.

Ao contrário de muitas outras espécies no mundo, o reaça não precisa de contato físico ou estímulos sexuais para se reproduzir: reacinhas são criados pela transmissão e assimilação de ideias. Para entender este processo, é necessário um pouco de biologia.

Todos nós nascemos com a capacidade de nos tornarmos reaças. Muitos preconceitos e visões de mundo conservadoras nos são passadas como verdades incontestáveis pelas instituições que nos “educam” para o convívio social: família, escola, igreja, mídia. E, se uma pessoa nunca contesta estes valores que a bombardeiam, corre grandes riscos de se tornar um reaça.

É o que a comunidade científica, num incrível ápice de criatividade, decidiu nomear de “semente Reinaldo Azevedo”. A semente está ali, dentro de todos nós, e é regada por tudo o que for preconceituoso, retrógrado ou conservador, como (mas não só) reportagens da Veja, e discursos do deputado Marco Feliciano; quanto mais regada, mais ela se fortifica.

E como está a sementinha de Ricardo? Bom, ela já virou uma floresta. Ricardo é o que consideramos um “reaça alpha”, ou seja, um reaça capaz de transferir suas ideias e criar outros reaças com maestria.

Vejamos um exemplo concreto: o debate sobre a diminuição da maioridade penal. Após o trágico evento que levantou esta questão, Ricardo e seus colegas de trabalho conversavam sobre o tema.

O início da conversa marca a primeira fase do processo reprodutivo: a dança da indignação.

Nessa fase, não se apresenta argumentos, apenas revolta e indignação pelo ocorrido.

– que tragédia…

– sim, um horror…

– poderia ter sido meu filho…

Em seguida, o reaça alpha, no caso Ricardo, apresenta os argumentos a favor da diminuição da maioridade penal. É interessante observar a capacidade que um reaça tem de utilizar argumentos que não dizem respeito ao tema em questão como se eles fizessem todo o sentido do mundo, relegando os dados e fatos concretos para o segundo, terceiro ou quarto plano.
Ricardo, por exemplo, é uma pessoa que acredita que o Brasil era muito melhor no tempo da ditadura militar, que PT é responsável por todas as mazelas do Brasil, do mundo e do universo, e defende que “bandido bom é bandido morto”. Logo, o seu argumento pela redução da maioridade penal foi:

– Isso nunca aconteceria na época da revolução. De lá pra cá, a violência só piorou. Culpa desse PT, que só tem corrupto. Inclusive alguns políticos do PT falaram que eram contra diminuir a maioridade penal. Claro né, bandido tem que proteger bandido. O certo é colocar esse marginal na cadeia pra fazer justiça. Aliás, tinha que ter é pena de morte nesse país pra matar esses vagabundos, e também todos esses políticos safados do PT.

E, voilà, a semente Reinaldo Azevedo já cresceu bastante nos amigos de Ricardo, que comovidos com tal argumento, já se colocam a favor da diminuição da maioridade penal, e vão repetir o argumento para as pessoas do seu círculo de amizades, que também vão repetir para os seus amigos, e assim por diante. Um reaça, assim como um rato, é capaz de produzir, em uma tacada só, milhares de outros reaças.

Vale notar que a reprodução de reaças pode ocorrer virtualmente também. Ricardo é um comentador assíduo das nobres sessões de comentários de sites de notícias, espalhando toda sua sabedoria para o mundo.

E assim se dá a reprodução dos reaças. Nossa equipe de cientistas não pôde deixar de notar também que a hipocrisia, sintoma característico dos reaças que já havíamos notado anteriormente, se fez presente novamente aqui.

Nem Ricardo nem seus amigos se preocuparam em mencionar a morte constante de jovens na periferia de São Paulo, assim como nunca sequer discutiram a redução da maioridade penal quando adolescentes de classe média queimam mendigos, agridem homossexuais ou domésticas “porque achávamos que ela era uma prostituta”.

Também não se questionaram se colocar pessoas cada vez mais jovens na cadeia é uma medida que vai, concretamente, diminuir a violência no país. Nossa equipe então concluiu que, no mundo dos reaças, violência se combate com violência, e “Direitos Humanos” é palavrão.

E assim termina nossa segunda excursão no mundo dos reaças. Para os espectadores que acharam que acompanharíamos alguma cena de sexo: também achei que isso aconteceria, e estou igualmente decepcionado…

E no próximo capítulo de A vida dos reaças: como Ricardo reage a quem tem ideias contrárias às dele? Conheça Paulo, o progressista! Fique ligado.

(Não deixe de ler aqui brilhante reportagem de José Coutinho Júnior no portal do MST. Ele crava uma estaca nos peito dos “gênios” dos juros altos.)

Mande você também seu texto para: foradfoco@gmail.com

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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3 respostas para A vida dos reaças – Capítulo 2: Reprodução

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