O casamento gay e “as coisas mais importantes” para o Brasil

Liberté, liberté chérie…

Por Bruno Pavan

Este blog está contando a história de Ricardinho: como anda, onde vive e do que se alimenta o reaça brasileiro.

Dois capítulos da saga já foram publicados: aqui e aqui.

O Brasil ainda nos reserva um outro tipo de raeça: o de esquerda.

Ele não está por dentro das novas demandas da esquerda no mundo todo e acha trocaria tudo pela maior distribuição de renda.

Seus argumentos contra o casamento gay, por exemplo, é fazer coro com os mais direitosos.

Um deles é o: “O Brasil tem coisas mais importantes para se preocupar do que com casamento gay”.

O ovo da serpente para as próximas eleições será os direitos das minorias.

É o que prega estes dois editores (aqui e aqui) e o maior pensador da esquerda nacional, Vladmir Safatle.

É preciso dar o passo à frente.

Semana passada a França, com muito protesto dos “Felicianeaus” de lá, aprovou o casamento gay em todo o país.

O país, teoricamente, teria “coisas mais importantes” com que se preocupar.

Está há 23 meses consecutivos colecionando aumento no número de desempregados que chegou a 3 milhões 225 mil mês de Abril.

Mesmo assim, arrumou um espacinho na sua agenda nacional para dar um passo importante em direção ao direito das minorias.

Frigide Barjot, humorista francesa, se colocou contra a lei com um argumento digno dos humoristas tupiniquins: “o parentesco biológico não pode ser substituído por um parentesco social.”

E a extrema direita que aqui gorjeia, gorjeia por lá também. O presidente da Câmara francesa, Claude Bartolone, recebeu uma carta advertindo sobre as “consequências” que sofreria se  a proposta fosse aprovada.

A carta, que foi assinada pelo grupo Interação das Forças Armadas, continha pólvora de munição e terminava com a seguinte frase: “Nossos métodos são mais radicais e rápidos que as manifestações. Vocês queriam guerra e a terão.”

Com os franceses, já são 14 países que legalizaram o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Um deles também tem muitos problemas a serem resolvidos e até o começo da década de 1990 ainda segregava brancos e neros: a África do Sul.

Na época da aprovação do Congresso a proposta, em 2006, a ministra do interior do sul-africana, Nosiviwe Mapisa-Nqakula, declarou: “rompendo com o nosso passado, necessitamos de lutar e resistir a todas as formas de discriminação e preconceitos, incluindo a homofobia.”

Não há mais como adiar a discussão dessa proposta no Brasil se pegando a argumentos como esse, de que temos coisas mais importantes para se preocupar.

O respeito ao direito de todos é o que pode nos tirar da posição de “grandes PIBs” e nos colocar definitivamente na posição de “grandes países”.

Há espaço para a luta por mais distribuição e desconcentralização de renda, mas ela não diminui a dívida que temos com grupos minoritários. Assim como não diminui todas as outras.

O Brasil é um Estado laico e as religiões igrejas tem liberdade de culto garantida. Se a sua não aceitar casar pessoas do mesmo sexo, é um direito que ela tem. O que não pode acontecer é setores ligados a essas igrejas quererem influenciar a Constituição Brasileira.

A Constituição, ela sim, me representa.

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