A maioridade penal e os intelectualmente desonestos

latuf

Latuf: uma imagem por mil palavras

 

Do colaborador Alisson dos Santos Matos, exclusivo para o Fora de Foco. Alisson é jornalista e autor de “Perder é do Jogo – As Maiores Tragédias de Flamengo e Fluminense” – Editora Multifico.

 

Amplamente debatido, o assunto maioridade penal ganha, a cada dia, requintes de oportunismo nos discursos daqueles de sempre, que utilizam a palavra justiça como eufemismo de vingança. E com argumentos que se repetem numa escala assustadora, o que faz por tornar o necessário, a profunda análise, que felizmente exige um razoável número de neurônios, uma quimera. São eles os que se incomodam com a ascensão social de alguns e se veem como as únicas vítimas de um sistema incapaz de oferecer segurança.

Pois bem, já adianto que sou contra a tal proposta defendida pelos retratados no parágrafo acima, o que não me faz opositor à discussão. Um país que preze pela democracia tem mais é que debater e contestar, o que só acrescenta. Mas há momentos oportunos, e este, definitivamente, não é.

Explico. Aqui não se trata da postergação de uma solução, já que seria leviano decidir algo no calor dos fatos, principalmente em tempos de espetacularização da notícia quando não se pode exigir racionalidade de boa parte da população, que se encontra com os ânimos aflorados.  Entendo o raciocínio, mas não creio que seja verdade absoluta.

No fundo, o que me opõe à discussão, neste momento, é a sua injustiça. Em países com direitos civis bem definidos e num estado de bem-estar social consolidado, vá lá, é louvável a altercação. Por essas plagas, ainda não, pois, sim, muitos dos que são tratados como escória da sociedade não teve do Estado o papel que o mesmo deveria desempenhar. Eis algo que, volta e meia, é ocultado pelos intelectualmente desonestos em suas falas favoráveis ao projeto que reduz a maioridade penal de 18 anos para 16, 14, 12, 10 e vai saber até que ponto podem chegar. Falam em prisão, castigo, justiça e fazem questão de esquecer o longínquo passado e outro nem tão distante de uma desigualdade que corre nas veias e na história do país. Muitos chegam ao absurdo de resumir tudo em “bandido bom é bandido morto”, explicitando, assim, além da incapacidade de isonomia, o inteiro desconhecimento dos fatos.

São sujeitos de idiossincrasias incompreensíveis. E que insistem em não entender que só a partir da qualificação e universalização dos serviços públicos é que podemos avançar na questão. Para o bem ou para o mal.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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