A cultura da meritocracia: o verdadeiro ópio do povo

Essa é a meritocracia do capitalismo

Por Bruno Pavan

Abrindo o boteco socialista neste blog, onde se tem as melhores ideias, gostaria , mesmo sem um copo de cerveja na mão, o que atrapalha muito minha capacidade intelectual, dialogar com nosso querido Marx.

Minha indiganção é contra essa cultura capitalista do “você pode ser tudo que quiser”.

O ópio do povo, que dizem que é o futebol ou o carnaval, pra mim, é essa cultura.

A sociedade onde você é obrigado a passar por todos os desafios, porque se você falhar em algum deles, não vai poder culpar a falta de oportunidade. Já que no capitalismo, “ela vem pra todos”.

Se espelhe nos cases de sucesso da Nextel, “esse é meu clube”, e ignore todas as dificuldades de classe e culturais que são impostas pra você.

A palavra da moda hoje é a “meritocracia”. As cotas são injustas porque é racismo ao contrário, dirão. Os negros são tão inteligentes quanto os brancos.

Disse uma vez o Mano Brown: “minha mãe me dizia: filho, por você ser negro, vai ter que fazer 100 vezes melhor.” E a resposta dele é: “quem inventou isso? Como eu vou ser 100 vezes melhor se eu estou 200 anos atrasado?”

Meritocracia nada mais é do que o discurso dos de cima para manter os de baixo em baixo.

Semana passada veio a público a história da Lola Benvenutti, uma prostituta que se formou em letras na UFSCar. Claro que sua história tem um Q legítimo de superação. Em uma sociedade machista e conservadora, é uma vitória que uma mulher que se assuma como prostituta, ou seja, à margem da sociedade, consiga um diploma de curso superior.

Mas, até nisso a cultura do “você pode chegar lá” está incluída. Lola é branca, bonita e de classe média e diz estar na profissão porque quer. É uma grande exceção num mundo em que a maioria está para colocar comida em casa.

“Histórias de sucesso” como a de Lola, Bruna Surfistinha e Monique Prada podem servir, do ponto de vista do patriarcado, para postergar um debate importande sobre a legalização da prostituição. O discurso moralista parte para o “você escolheu esse caminho, então aguenta aí.” O mundo real é que a maioria das profissionais do sexo são maltratadas, trabalham em abientes sujos e, muitas vezes, são agredidas por clientes.

A matéria sobre a Lola mostra uma mulher que gosta de sexo e resolveu virar prostituta. Claramente uma coisa não tem nada a ver com a outra. Gostar de sexo casual não te faz uma prostituta. Te faz uma mulher que gosta de sexo casual.

Não tenho nenhum moralismo quanto o que as pessoas fazem como profissão, desde que não façam mal pra ninguém. Também não estou dizendo que Lola tem culpa na realidade das prostitutas brasileiras. Não tem. Inclusive a Monique Prada, citada aí em cima, tem um discurso muito legal pró-legalização da profissão (leia a entrevista dela para o blog da Lola Aronovich)

O que me pega pelo pé é esse discurso capitalista.

Devaneios de um pseudo-socialista no século XXI.

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6 respostas para A cultura da meritocracia: o verdadeiro ópio do povo

  1. meritocracia é o conceito mais idiota que eu ouvi. não sei… é como se houvesse uma única linha de chegada, mas a largada fossem várias… alguns com séculos de distância.

  2. Bill disse:

    Reblogged this on Breaking The Law!e comentado:
    “Somos todos iguais, mas alguns são mais iguais do que outros” G.O.
    Reflexão sobre a meritocracia por Bruno Pavan.

  3. Pingback: Seja feliz em sua calça jeans 42… 44… 46… 48… |

  4. Jose P C Junior disse:

    Lembro o jargão ” Falar é facil,dificil é comprovar!”, ou ainda,” a coisa mais simples é resolver o problema dos outros,quero ver quando é o seu!”

  5. Pingback: Sempre haverá uma nova área VIP |

  6. Flavio disse:

    Muito vago.. Meritocracia é um conceito muito amplo que voce nao debateu, apenas deu voltas o desmerecendo. O socialismo tem um conceito belíssimo, mas a mudança tem que ser de dentro para fora das pessoas. Capitalismo não é um regime imposto, tem muita gente que vive a margem dele, por desejo próprio. Se o individuo sucumbe as marcas da moda, a maneira de falar e se comportar do seu meio, o problema é dele, não que foi obrigado a isso. A liberdade continua sendo um valor maior que a igualdade, voce querendo ou não. A natureza evoluiu porque alguns microorganismos se adaptaram melhores que os outros e evoluiram para a terra, para o céu.. Nao é um modelo perfeito, mas é um modelo testado e funcional por milhões de anos.

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