Do Dilmês para o Lulês

A quatro mãos por Bruno Pavan e Murilo Silva

Esse blog, na pessoas dos dois editores que assinam este texto, costuma qualificar a comunicação do governo Dilma como um “desastre ferroviário”.

O termo pertence a um consagrado jornalista brasileiro, Mino Carta.

Ontem, no 1º de Maio, a presidente trabalhista Dilma Rousseff – que até vinha em uma modesta crescente em seus pronunciamentos anteriores – protagonizou um retumbante fracasso televisivo só comparado a “Salve Jorge” e ao programa da Fátima Bernardes.

Logo na primeira frase, Dilma usou o verbo “brado”, na primeira pessoa do presente. Termo só visto na televisão durante os jogos de futebol, quando passa sempre incógnito do grande público na segunda estrofe do Hino Nacional.

Em seguida, vem o costumeiro show de números. Um sujeito pouco importante na televisão brasileira, um tal de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, ou simplesmente Boni, disse certa vez que televisão não gosta de número.

Os limites comunicacionais da Presidenta e sua equipe, fizeram com que passe despercebida do grande público uma importante proposta de Dilma a nação.

Um pedido de apoio popular, para que se aprove no Congresso uma lei proposta pelo governo que encaminha o dinheiro dos royalties de petróleo exclusivamente para a educação.

Diante do infortuno pronunciamento, esse blog, consciente da importância da propósta, se prontificou a traduzir o Dilmês – idioma derivado do uso excessivo do Power Point – para o Lulês, dialeto muito mais acessível as massas.

Aí vai em tradução livre.

(ler com a voz rouca e com a língua presa)

Companheiros e companheiras,

Hoje, 1º de maio, se comemora o dia mundial do trabalho.

Me lembro como se fosse hoje do grande comício no Estádio da Vila Euclides, lá em São Bernardo do Campo, cercado de polícia para reprimir os trabalhadores.

A situação mudou, e melhorou muito de lá pra cá.

Desde que assumimos o governo, o salário mínimo cresceu 70%.

Isso quer dizer que o trabalhador brasileiro conseguiu dinheiro para comprar pão e leite todo dia. E mais do que isso. Pode comer bife todo o dia, pode comprar Iogurte e no final de semana dá pra sair e comer uma pizza com a família. 

Companheiros e companheiras,

A situação dos trabalhadores na Europa é crítica.

25% da população da Espanha tá sem emprego. Enquanto comemoramos aqui, em Portugal, os trabalhadores enfrentam a polícia em verdadeiras guerras campais.

Aqui no Brasil não tem nada disso. E não tem nada disso graças ao governo que, nunca antes na história desse país, olhou tanto pro povo trabalhador.

Hoje companheiro, a gente vive um cenário que eu só ouvia nos discursos dos letrados e economistas por aí: o tal do pleno emprego.

Costuma se dizer que, em time que tá ganhando não se mexe.

Mas o Brasil não quer ganhar de pouco não. Nosso governo não joga na retranca. O Brasil quer, e o Brasil vai ganhar de goleada.

Hoje, empregada doméstica tem direito de madame!

O filho do pedreiro, se quiser ser pedreiro, vai ser. E se não quiser, vai ser doutor!

Agora, o filho do pobre estuda nas melhores universidades privadas de graça pelo Prouni, junto com o filho do rico.

O filho do pobre pode financiar sua mensalidade pelo FIES e estudar na mesma escola que o filho do rico.

Hoje, o seu filho companheiro, pode estudar nas melhores escolas do mundo, pelo Ciências Sem Fronteira, coisa que até pouco tempo, só quem fazia era o filho do patrão.

Meus queridos companheiros, minhas queridas companheiras. 

O Brasil mudou, e pra continuar mudando nos precisamos do dinheiro do pré-sal para investir ainda mais em educação.

O petróleo, companheiro é uma safra que só se colhe uma vez.

É um bilhete premiado que o camarada ganha, mas que se não souber gastar, acaba ficando pobre outra vez.

Por isso, nosso governo mandou para o Congresso Nacional, uma proposta de lei, para obrigar o governo, esse e os que virão depois de nós, a investir todo o dinheiro do pré-sal em educação.

Vamos todos formar uma corrente: famílias, igrejas sindicatos; para que essa proposta seja aprovada, e para o Brasil continuar a crescer incluindo cada vez mais brasileiros nesse novo país.

Feliz, 1º de Maio! E que Deus abençoe a todos!

Em tempo: Talvez assim, trocando em miúdos, a UNE entenda o recado e tome pra si essa bandeira, já que tem um tempo que eles não carregam nenhuma. 

Curta nossa página no Facebook e siga-nos no Twitter @ForadFoco.

Anúncios

Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
Esse post foi publicado em Brasil, Economia, Política, videos. Bookmark o link permanente.

4 respostas para Do Dilmês para o Lulês

  1. Ricardo Quiroga disse:

    Conversando com amigos de comunidades e camelôs, todos entenderam a adoraram o discurso da Dilma. Não exgerem com a inteligencia de nossos compatriotas menos favorecidos. Mas concordo em que a linguagem poderia ser maisa direta e mais simples.Para ela, economista, pode ser mais complicado, mas justamente por ser preparadíssima, saberá se adequar. Mas não tem jeito, ela é adilmais..

    • Parafuso disse:

      Preparadíssima, a Dilma? kkkkkkk ….. muito obrigado! Ri muito!!!! O Mantega também, né? KKKKKKKKKK Assim eu não aguento!!!!!

  2. moyses disse:

    A UNE… só se a “bobo” apoiar!

  3. romu disse:

    Mudou muito, inclusive quem escreve os discursos. Antes, eram Luís Soares Dulce e Franklin Martins. Agora, ẽ a Helena Chagas. Os primeiros entendem o Lula e os anseios de seu público alvo. A segunda, só de g’r’obo. Sem o Boni.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s