A Lady quer passear. Às favas com o jornalismo!

Por Bruno Pavan

Na década de 60, alguns jornalistas fizeram nascer um novo tipo de jornalismo. Por meio da revista New Yorker, Gay Talease, Tom Wolf, Norman Meiler e Truman Capote investiam em textos mais literários, mais longos e fora do sistema de lide e pirâmide invertida que mandavam na imprensa a época (e continua mandando hoje).

O estilo ficou conhecido como New Journalism.

O futuro da profissão, acreditavam, eram matérias mais longas que entrassem de cabeça na história ou no personagem.

A sangue frio, de Trumam Capote, é uma das obras mais representativas desse estilo de jornalismo.

O perfil de Gay Talease sobre Frank Sinatra, sem ter entrevistado o próprio, também é emblemático (clique aqui e leia).

O jornalismo talvez seja o reflexo da sociedade em que vivemos.

O Estadão, por meio de suas duas últimas campanhas publicitárias, deixa claro qual é o “New journalism” do século XXI.

Sob a ameaça de demitir 50 jornalistas, o jornal que sempre foi famoso por suas opiniões, reformulou o seu conteúdo.

É um jornal mais enxuto de segunda a sábado e mais robusto no domingo.

O importante é sobrar tempo para passear com o cachorrinho da família.

Mesmo tendo um jornal ininteligível seis dias por semana e modorrento no domingo (esta foi a leitura que o editor que nos escreve teve da peça)

Antes disso, figurou na TV e no rádio a campanha do “li que”.

O jovem xavecador encanta as mulheres esbanjando informações que leu no Estadão.

Quando o último de seus “alvos” dispensa os conhecimentos dizendo que já sabia da informação, o pobre “especialista de lides” fica com cara de torta na cara.

Ele não leu nada mais que o Estadão para iluminar seu conhecimento.

Mas, na maioria de suas empreitadas com o sexo oposto, ele se dá bem.

Esse é o novo jornalismo que estão querendo implantar por aqui.

Sem gosto e mais preocupado com a rapidez.

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