Seja feliz em sua calça jeans 42… 44… 46… 48…

Boa sorte para os paleolíticos do século XXI

 

Por Bruno Pavan

Comer pra quê? Questiona uma revista da moda.

A pauta foi atrás de artistas e médicos que embasassem a essa teoria maluca e sensacionalista.

Encontrou Glória Maria, que faz jejum por dez dias, duas vezes por ano desde 2001, quando trouxe a prática de uma viagem ao Canadá.

“Quando faço isso me sinto cheia de energia e muito, muito mais magra”, disse a jornalista.

A revista também apresenta um “fato”: o segredo da longevidade é comer pouco.

A dieta é chamada de “dieta paleolítica” pois prega que todos devemos voltar aos hábitos alimentares dos homens das cavernas.

Nada de cereais, massas ou leite. A base são carnes e peixes. De preferência crus. Nossa acarda dentária, acredito eu, já restringe essa dieta aos extraterrestres.

Em vez de ouvir tantos especialistas, a revista deveria se focar em fontes da indústria da moda.

Mike Jeffries, CEO da Abercrombie, responde assim aos questionamentos sobre o motivo de sua marca não produzir peças G ou GG: “Em toda escola há adolescentes que são legais e populares, e há aqueles que não são tão legais. Nós estamos atrás dos legais. Nós vamos atrás de todos os adolescentes atraentes com muita atitude e muitos amigos. Muitas pessoas não pertencem às nossas roupas, e elas nem podem pertencer. Nós somos excludentes? Absolutamente”

Talvez seja por isso, minha cara reaça, que você precisa do feminismo.

Talvez seja por isso que a meritocracia seja uma falácia. Importa mesmo é o tamanho da roupa que você usa.

Talvez por isso você entenda o porquê tem gente que fica dez dias sem comer duas vezes durante o ano.

Você tem que caber numa roupa da Abercrombie, porque você é uma pessoa legal, bonita e com amigos.

Este editor sempre acredita que você, caro colaborador, não deve acreditar neste blogueiro.

Acredite, sim, em Nina Lemos, jornalista que cobre a área de moda e conta como as revistas alimentam esse desejo das adolescentes ficarem cada vez mais magras.

Acredite em Mariana Perroni, médica, que conta o perigo do seu corpo parar de receber glicose, que o faz funcionar corretamente.

A vida é uma só.

Como disse Vinicius de Moraes, duas mesmo que é bom só quando eu tiver um documento autenticado e assinado: Deus! E com firma reconhecida.

Então me dão licença que eu vou ali comer meu bife à milanesa com arroz, feijão e batata frita.

E vou ser feliz dentro de minha calça 42 (quase 44)

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