Não encarar o passado de frente torna a democracia mambembe

Eles inventaram o pecado… E inventaram também o perdão…

Por Bruno Pavan

O Brasil é um país de inúmeros problemas.

Tem o problema da classe média: impostos altos e pouco serviço estatal de qualidade.

Tem o problema dos pobres: filas no serviço público de saúde, péssimo estado do transporte público e vários outros.

Tem o problema econômico: juros altíssimos cobrados pelos bancos e ainda pouco crédito a população. Indústrias cheias de regalias, como a automobilística e a telefônica, e pouco produto de qualidade.

Tem o problema político: partidos com muita força, figuras obscuras ocupando cadeiras na Câmara e no Senado, fisiologismo a torto e a direito.

Todos eles são reais e importantes.

Existe também o problema de não olhar para trás, que já foi tratado por esse editor aqui.

Quando não se olha pra trás, lições do passado ficam presas a folhas de papel. Tantos nos livros de história, aqueles que contam nossas grandes revoluções de cima pra baixo.

Quando não se olha pra trás se engole declarações como a do chefe do Doi-Codi Carlos Alberto Brilhante Ustra, que chamou a presidenta de terrorista e negou o que um colega de regime havia dito momentos antes: Ustra era o comandante da tortura no regime militar.

Veja aqui o vídeo de Pablo Villaça: quem eram os terroristas?

A família Teles, com a ajuda do professor Fábio Comparato, já pode chamá-lo de torturador.

Ustra tem a coragem de olhar no olho de Gilberto Natalini, hoje deputado e ontem torturado pelo DOI-Codi, e chamá-lo de terrorista porque deixamos a história lá atrás.

Eles venceram… e amanhã não foi outro dia, como no samba de Chico.

O Brasil é o único país do cone sul que sofreu com ditadura e anistiou os algozes.

A OEA já decidiu que o Brasil comete “graves violações aos direitos humanos” ao não condenar torturadores.

Rever os crimes da ditadura não é revanchismo, como tantos gritam por aí.

É reforçar a nossa democracia.

Democracia essa que permite que Ustra deboche da presidenta, pisoteie a memória de milhares de famílias e saia da Comissão da Verdade pela mesma porta que entrou.

E com as mãos livres.

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