A Vida dos Reaças, Capítulo 4 – Putz Putz Putz

Ricardinho vai a caça

Ricardinho vai a caça

No novo capíulo de, A Vida dos Reaças, Ricardinho na balada protagoniza um singular sucesso com as “cats”.

Veja a brilhante tragetória de Ricardinho o bom reaça aqui no Fora de Foco: Capítulo I ; II & III.

Do colaborador José Coutinho Júnior,

Olá, e bem vindo a mais um episódio de A Vida dos Reaças, o programa que olha para os reaças de uma forma tão simpática que você vai querer abraçá-los depois. Hoje, Ricardo, nosso reaça guia, irá nos mostrar o mundo das festas, mais especificamente as baladas, sob a ótica masculina.

A balada é esperada por Ricardo e seus amigos durante toda a semana. “É sempre o ponto alto da nossa semana, depois de tanto trabalho, é bom sair e se dar uns pegas, né?”. A primeira parte da noitada começa com o “Esquenta”, que segundo Ricardo, “serve pra gente se descontrair um pouco, tomar uma cervejinha e se preparar pra balada”.

Em resumo, o Esquenta consiste em um monte de homens se embebedando e dizendo coisas extremamente construtivas, como “hoje vou pegar um monte de gostosas”, “quem não pegar pelo uma mulher hoje é um viadinho”, “não quero nem saber se é bonita ou feia, se tiver uma Boceta no meio das pernas, tô pegando”.

Após esse momento extremamente construtivo, os homens seguem para a balada. A comunidade científica define uma balada como “o espaço onde as pessoas deixam o bom senso, a educação de lado para agir como imbecis hipnotizados por álcool e música eletrônica”.

Mas você não deve confiar totalmente na comunidade científica neste caso: como eles passaram muito tempo de sua vida estudando em um laboratório e nunca eram convidados para festas, eles são relativamente tendenciosos na hora de retratar o tema.

Você igualmente não deve acreditar na definição de Ricardo sobre baladas, que é a seguinte:“WOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOHOOOOOOOOOOOOOOOOOO É HORA DE APROVEITAR A VIDAAAAAAAAAAAA!!!!!!!!”

Nosso conselho caso você não seja frequentador de baladas e quiser saber como elas funcionam, é que vá em algumas e tire suas próprias conclusões.

Nossos pesquisadores inseriram um câmera na camisa de Ricardo e um microfone em seu ouvido, para monitorá-lo enquanto se aventurava na balada. A primeira coisa que ficou clara, após cinco minutos de observação, é que homens como Ricardo não vão a uma balada para se divertir.

Claro, a diversão pode ser um efeito colateral advindo de muito álcool no cérebro, das eventuais conquistas e das músicas e luzinhas coloridas, mas está longe de ser o principal. A balada é, antes de tudo, uma selva, com diversas presas que só estão lá com a finalidade (e o desejo) de serem pegas e dominadas por um homem. E nosso querido reaça se considera o rei leão nessa selva.

Ao entrar no clima da balada, Simba, digo, Ricardo, começou a procurar sua presa. Avistou uma linda morena de cabelos longos no bar. Se aproximou, pediu um drink e começou a puxar conversa. Os amigos olharam de longe, orgulhosos do camarada:

– Vai pegar, certeza.

-Todas caem fácil no papo dele.

E Ricardo conversou com a morena durante bons 15 minutos, sobre sua vida, suas opiniões políticas, sobre como ele era incrível. Após este tempo, tentou dar um beijo na morena, que se esquivou rapidamente.

– Hoje eu não estou afim de beijar ninguém, só vim me divertir com as minhas amigas -, disse a morena.

– Qual é gata, só um beijinho. Garanto que se você provar, vai querer muito mais. – disse enquanto avançava novamente.

– Já disse que não. Se você quiser continuar conversando, e sobre outro assunto que não seja você, tudo bem. Senão, pode desistir porque não vai rolar nada entre a gente -, disse a mulher parando o avanço do nosso reaça.

– Pff, tudo bem. Você nem era tão gostosa assim mesmo, aposto que é sapata. – Disse Ricardo, ao se levantar e sair.

“Acredita nisso? Que vadia, perdi meu tempo com ela por nada. Bom, deixa pra lá, a noite só ta começando!” Falou para os cientistas via microfone.

Na balada, as mulheres, como geralmente são vistas como um prêmio a ser conquistado, e não como seres humanos, acabam sofrendo incessantes investidas, e quando dizem não, muitas vezes a insistência continua.

Muitas mulheres, quando andam em grupos, simplesmente ignoram ao máximo homens que agem dessa maneira, geralmente indo dançar em outro lugar, puxando papo com as amigas, ou pegando o celular e fingindo trocar uma mensagem, até o “macho alfa” resolver ir embora.

Quando questionado sobre este comportamento, Ricardo respondeu que “elas só se fazem de difícil, é só continuar mostrando o quanto você é foda que elas acabam cedendo”.

E ceder algumas fizeram. Ricardo conseguiu, por meio da tática de “cansar o inimigo”, trocar saliva com umas três ou quatro mulheres no dia. Algumas até disseram que ele era bonitinho e beija bem, fato que causou alguns suicídios de membros da nossa equipe, que perderam a esperança de viver.

Mas algo curioso aconteceu naquela balada específica: um grupo de três mulheres muito bonitas dançava no meio da pista, e chamava a atenção de diversos homens, que as rodeavam tal qual gorilas observam uma gorila fêmea, na esperança que essa faça sua escolha para o acasalamento.

As moças rejeitavam ou ignoravam qualquer tentativa dos homens de serem seduzidas. Estava claro que ali só aconteceria alguma coisa se elas decidissem escolher alguém.

– Escutem o que eu vou dizer. Aquela loirinha ali vai ser minha até o final da noite. Disse Ricardo, convencido, para os seus amigos.

Se aproximou por trás da mulher loira, que se comparada a ele era pequena e extremamente sensual. Ricardo deu um toque nas suas costas, e obteve como resposta um olhar frio. A mulher o ignorou e continuou a dançar com as amigas. A quantidade de homens rodeando as três parecia aumentar, e nossa equipe não conseguia entender o porquê.

E Ricardo tentou conquistar a moça loira da única maneira que viu possível: ficou atrás dela, de uma distância que um observador não conseguia julgar se ele dançava com ela ou não, e começou a dançar, sem fazer contato físico com ela. Ficou lá durante horas fazendo isso, sem receber qualquer sinal ou atenção.

Quando as mulheres finalmente se cansaram de dançar, fizeram sinal para ir embora. Ricardo pegou a loira pelo braço.

– Peraí, to aqui há um tempão dançando, e você não vai me dar uma chance? – disse para a loira, indignado.

– Você tá aí porque quer, não te pedi para fazer nada. Me solta. – Respondeu a loira.

– Qual é gata, me dá só um beijinho, garanto que você vai gostar! – Disse e avançou sobre a moça.

O que aconteceu depois chocou nossa equipe, Ricardo, seus amigos e todos que presenciavam a cena. Nosso intrépido leão sentiu uma sensação que não sentia há tempos, onde se localizava seu “playground”, como chamava carinhosamente suas partes reprodutoras.

Era uma dor sem tamanho, seguida por uma falta de ar. Começou a se curvar, e caiu no chão.

A loirinha, aparentemente baixinha e indefesa, lhe dera um joelhada bem ali.

Os amigos de Ricardo foram socorrê-lo, e começaram a xingar a mulher. Esta se virou para eles e disse:

– Sou faixa preta em Kung-Fu. Se vocês continuarem me xingando, ou quiserem brigar, podem vir que eu acabo com vocês. A joelhada e essa fala fez com que os membros de nossa equipe que haviam cometido suicídio revivessem, recuperando a esperança na vida e rindo muito da cena.

Silêncio. Os amigos de Ricardo o seguraram e todos saíram, quietinhos, da balada.

– Vadia, – Dizia um amigo.

– Que vaca! – disse outro.
E isso continuou por um tempo, até que Ricardo se recuperou e todos decidiram ir embora. Questionado por nossa equipe o que tinha achado da noitada, e se aprendeu alguma coisa, Ricardo respondeu, meio encabulado: “Fora a atitude daquela vadia, foi ótimo! Não pense que a gente não reagiu porque ficamos com medo, é que a gente não bate em mulher”.

Quando perguntamos se o incidente o faria pensar em agir diferente com as mulheres numa balada, respondeu: “diferente? Por que? A gente tem que dar em cima mesmo, elas querem isso. É só uma ou outra mal-humorada que age assim.

Semana que vem tem mais pegação, WOOOOOOHOOOOOO!” Ao chegar em casa, colocou um saco de gelo no playground e dormiu abraçado com seu ursinho de pelúcia, sonhando assustado com uma pequena loira que lhe dava joelhadas dolorosas.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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Uma resposta para A Vida dos Reaças, Capítulo 4 – Putz Putz Putz

  1. Uma loira, pequena e que luta Kung, sei. Acho que seu nome, em algum momento das noites, é Ricardo. Ótimo (e divertido) texto.

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