A meritocracia da segurança pública em SP

A meritocracia do cacetete

Por Bruno Pavan

“Quem não reagiu está vivo” é a frase que representa o pensamento conservador de hoje.

Ela foi dita pelo governador de São Paulo Geraldo Alckmin, após uma operação da Rota que culminou com nove mortos em um julgamento de um estuprador por traficantes no interior do estado.

“Todos bandidos”, ouço você me dizer, afável reaça. E eu te respondo: assim como os traficantes não tem capacidade de julgar qualquer pessoa que tenha cometido qualquer crime, a polícia também não pode escolher que vive e quem morre.

Agora esse mesmo governador cria um pacote de medidas para diminuir os crimes no estado. Uma delas, pasmem, é premiar o policial que conseguir “bater a meta” de redução de crimes.

Ser cidadão não é tarefa fácil.

É preciso entender que a estado não é uma empresa e não pode ser gerida como tal.

Em uma polícia que mete medo no cidadão, principalmente no mais humilde, é extremamente perigoso tratar segurança pública como algo que se pode “colocar metas”.

Estas metas serão decididas pelo Instituto Sou da Paz mas serão, basicamente, índices de homicídios dolosos, latrocínios, roubo em geral, furto e roubo de veículos, de acordo com essa matéria da Folha de S.Paulo.

Quando o assunto é segurança, sempre se busca o caminho mais curto.

Nunca a resposta é investir em penas alternativas para pequenos crimes.

É sempre construir prisões e deixar que o ladrão de galinha mofe lá dentro.

Nunca é conversar sobre legalização das drogas.

É sempre descer a porrada em usuário.

As metas do governo serão diferentes conforme os bairros: em Higienópolis a meta é uma, no Capão Redondo, é outra.

Tudo isso em uma polícia repetidamente acusada de realizar chacinas em bairros pobres.

No RJ as milícias formadas pela polícia foi alvo de uma CPI.

Policiais foram presos e vereadores foram investigados pela comissão.

Milícia nada mais é do que a polícia protegendo o cidadão dela mesma.

O filme Tropa de Elite 2 mostra bem como funciona.

Alckmin quer “otimizar a gestão” dando dinheiro para quem conseguir “bater meta”.

Mas o medo que a população sente da polícia, continua lá.

Aproximar a polícia do povo é uma alternativa mais humana e funcional.

Mas o caminho da “meritocracia” do policial (o gatilho?) é a democracia vigente.

E a cultura do medo (dos ladrões e da polícia) continua sendo a moda nessa triste temporada.

Este blogueiro sempre diz para vocês não acreditarem nele. Acreditem no jurista Wálter Maierovitch

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3 respostas para A meritocracia da segurança pública em SP

  1. Pingback: Cultura do estupro: SP terá cartilha para mulher não ser estuprada |

  2. narciso disse:

    Quando for roubado ligue para os Power Rangers:
    Disque 1 para chamar o amarelo;
    Disque 2 para o azul;
    Disque 3 para o verde;
    Disque 4 para o preto;
    Disque 5 para o rosa.
    (Eu acho que você deve preferir o rosa).

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