Dentro de sua mochila…

 

Nada estranho eu gostar tanto do seu all-star…

Pro Bruno Pavan

Na sexta-feira, no hall do prédio onde trabalho, a vejo lá em baixo, esperando o elevador que demora a chegar, como demorou aquela sexta-feira.

Ela não é dona de uma beleza óbvia, como a bela do metrô descrita por esse mesmo escriba.

Se você não for atento, caro leitor, ela passa por você desapercebida.

Um tremendo desperdício, seria.

Sua maquiagem é displicente. Não sei se porque ela se garante sem se pintar, se não tem jeito para a atividade ou por nenhum desses motivos.

Ela é complexa, acima de tudo.

Um lápis na sobrancelha e basta.

Dona de um all-star gasto mais de um lado por conta de sua pisada torta e de uma mochila de borracha. Daquelas que pode pegar chuva.

A bela de mochila está sempre se mexendo.

Se não anda de um lado pro outro, bate as mãos na perna no ritmo da música do fone de ouvido.

Linda com seu rabo de cavalo que ela não demorou mais de cinco minutos para arrumar.

E com seus óculos que ela parece querer se esconder atrás.

Está sempre com pressa (ou finge estar).

A hora tão esperada é quando uma mecha do cabelo escapa e cai em seu rosto.

Charme que só dura alguns segundos, pois rapidamente ela a amarra a mecha revoltada junto com o restante do cabelo.

Mas, mesmo sem querer, ela exala algo de irresistível.

Essa vontade de passar desapercebida é inútil.

Os penduricalhos e os bichinhos de pelúcia que há em sua mochila quer passar uma imagem de menina.

Mas o artigo da faculdade que ela tira de sua mochila entrega que seus sonhos são maiores.

Ela não precisa de bolsas caras. Nem de joias. Nem de vestidos decotados. Nem de salto alto para mostrar o que é.

Sua insegurança e seus passos rápidos talvez seja a beleza que existe nela.

Na sua mochila cabe tudo o que uma mulher pode ser.

Cabem sonhos.

Aquela bolacha que ela vai comer quando tiver um tempo.

Livros.

E um batom…

Vai que…

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2 respostas para Dentro de sua mochila…

  1. Gosto deste tipo de texto e destas observações “não programadas”. Com “a bela do metrô” me passou a sensação de que você ficou por um triz à ela na realidade e completamente ligado na imaginação e desejo. Inclusive, inseriu-a na leitura do Balzac como um personagem. Pude imaginar o fim, melhor, que a leitura não iria ter fim. Um beijo.

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