Cultura do estupro: SP terá cartilha para mulher não ser estuprada

Cartilha deveria ter uma só frase: não é não

Por Bruno Pavan

Este blog já disse que, em matéria de segurança pública, governos e cidadãos gostam mesmo é de caminhar pelo caminho mais fácil.

Difícil é atacar a causa. Temos a tendência de embasar políticas públicas pelas consequências.

Como a meritocracia do gatilho que Geraldo Alckmin implantou na polícia de São Paulo.

Neste final de semana aconteceu a Marcha das Vadias em São Paulo e em mais diversas cidades do Brasil.

A manifestação nasceu no Canadá onde, depois de uma série de estupros no campus da uma universidade, o chefe de polícia disse que “se as mulheres não se vestissem como vadias, não seriam estupradas.”

Fale a verdade, amigo colaborador, quantas vezes você já ouviu a frase de que “mulher tem que se dar ao respeito?”

Por trás desse conselho, bem lá no fundo, há uma coisa chamada “cultura do estupro.”

A culpa não é do estuprador mas, sim, da estuprada.

Ela não se veste como manda os bons costumes. Usa um decote muito grande. Uma saia muito pequena. Anda rebolando e provocando. Enfim: blablabla…

Hoje saiu a notícia de que o Conselho Estadual da Condição Feminina firmou uma parceria com a Secretaria a Segurança Pública do governo de SP para conter o número de estupros que vem crescendo no Estado.

Esse orgão irá mapear o perfil do estupradores e lançar uma cartilha para as mulheres de como elas podem evitar os estupradores.

A falta de senso humano é flagrante.

Cada dia que passa eu vejo que o século XXI realmente é para os fortes.

Há casamento gay legalizado e, agora, mulher sai com a roupa que quiser no corpo. Vejam só.

Alguns não aguentam e se suicidam.

Não existe uma receita para evitar estupros que não passe por uma, simples e clara: ensinem os homens a não estuprarem e não as mulheres a não serem estupradas.

E que se deixe claro que o teor etílico da mulher não é um convite ao estupro. A saia que ela veste não é um convite ao estupro.

E que o não quer dizer não.

Clique aqui e leia artigo da Nádia Lapa sobre a vítima de estupro perfeita.

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5 respostas para Cultura do estupro: SP terá cartilha para mulher não ser estuprada

  1. Cara, não acho que isso se ensine. Há, por óbvio, um desvio mental em quem comete esse crime. De um modo geral, existe a percepção que nada acontece, há (como vejo) uma indústria da inconsequência alimentada por profissionais das mais diversas áreas. Tudo vira um data vênia. Tudo vira uma promessa da campanha. Tudo vira slogan. Então, penso, é preciso que a gente participe do sistema de uma forma mais próxima, sendo também a mudança e a pressão para que ela ocorra. Ninguém ensina estuprador a não estuprar e ladrão a não roubar. Isso simplesmente não há como aprender.

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