37 mulheres são estupradas por dia em São Paulo

"tábua de tiro ao álvaro"

“tábua de tiro ao álvaro”

Por Murilo Silva

Mil cento e treze mulheres forma violentadas ano passado em São Paulo.

Outras mil cento e noventa e duas foram estupradas no Rio de Janeiro.

E a culpa é de quem, caro colaborador?

Segundo os Alckimistas, a culpa é da mulher! A solução é ensinar para Elas como evitar o inevitável, talvez criar um manual para evitar o estupro.

Veja no vídeo abaixo – um clássico – que em São Paulo pouca coisa mudou de Gengis Khan para cá:

 

Esse blog se pergunta: Não seria o caso de ensinar para Eles? Talvez ensinar na escola, ensinar que “Não” é “Não” ?

Sobre este tema, o Fora de Foco reproduz excelente texto de Ricardo Kotscho:

Os últimos números divulgados em São Paulo e em todo o país mostram que os casos de violência contra mulheres estão se transformando em verdadeira epidemia, sem que as autoridades de segurança encontrem formas de enfrentar a emergência do problema a não ser discutir prováveis causas e medidas paliativas como a distribuição de cartilhas e o mapeamento de criminosos.

Embora na semana passada o governador paulista Geraldo Alckmin tenha anunciado no “Jornal da Record News” uma diminuição dos índices de violência, ficamos sabendo nesta terça-feira que 37 mulheres foram estupradas por dia _ por dia, repito! _ em São Paulo no primeiro quadrimestre de 2013 _ um aumento de 20,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o estupro foi o crime que mais aumentou nos últimos anos em São Paulo.

Para se ter uma ideia da brutalidade que isso significa, é como se um ônibus lotado de mulheres fossem estupradas a cada dia no maior e mais rico Estado do País. No Rio de Janeiro, o número de estupros cresceu ainda mais: 24% no ano passado, chegando a 1.972 casos na cidade.

Entre 2001 e 2010, segundo levantamento do Instituto Avante Brasil, publicado hoje no site “Carta Maior”, 40 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. De acordo com estudo do Banco Mundial citado pela publicação, mulheres de 15 a 44 anos correm mais risco de sofrer estupro e violência doméstica do que câncer, acidentes de trabalho, guerra e malária.

Apenas na cidade de são Paulo foram registrados 1.113 casos de estupro este ano. E o que fazemos para enfrentar esta escalada da violência contra as mulheres? O Conselho Estadual da Condição Feminina, ligado à Casa Civil do governador Geraldo Alckmin, anuncia que será feito um levantamento no banco de dados da Secretaria de Segurança Pública nas próximas semanas “para identificar um perfil destes estupradores”, segundo o jornal “Folha de S. Paulo”.

Além disso, será distribuída uma cartilha para orientar mulheres sobre como agir para evitar estupradores. Posso imaginar mulheres voltando para casa da escola ou do trabalho por ruas escuras, desertas e despoliciadas pedindo licença ao estuprador para consultar o que a cartilha recomenda.

O problema é muito mais grave do que sugere a reação das autoridades, que atribuem o aumento dos índices a uma mudança na lei que passou a considerar estupros crimes que antes eram registrados como atentados violentos ao pudor, mas o mais grave é que 90% das mulheres violentadas não buscam auxílio médico imediato para evitar a gravidez indesejada […]

A crescente violência contra a mulher no Brasil chamou a atenção da imprensa mundial, como se pode ver em reportagem publicada pelo “New York Times” e reproduzida no R7 depois que estupradores violentaram uma estudante norte-americana de 21 anos na mesma van em que haviam cometido o mesmo crime contra uma menina brasileira de 14 anos, uma semana antes.

O governador carioca Sergio Cabral não se mostra muito preocupado com o problema, segundo o relato do NYT, ao afirmar que o Rio “está vivendo um momento vigoroso com grandes eventos e investimentos”. Parece que no Brasil cidadãos e seus governantes vivem em mundos e realidades diferentes.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
Esse post foi publicado em Brasil, Mídia, Política. Bookmark o link permanente.

2 respostas para 37 mulheres são estupradas por dia em São Paulo

  1. O número só assusta menos do que o descaso.

  2. Pingback: Dilma e os igrejeiros: ela só pensa em 2014 |

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