Dilma e os igrejeiros: ela só pensa em 2014

Por Bruno Pavan

 

O governo Dilma tem um mote nesses três anos: ele tem medo dos conservadores.

Não consegue nos responder o que vem depois do Lulismo?

Vejamos, o ministro Fernando Haddad desenvolveu junto com o MEC uma cartilha anti-homofobia para ser distribuído nas escolas.

 

A presidenta vetou a distribuição para não bater de frente com a bancada igrejeira na Câmara e no Senado.

 

Agora, o Ministério da Saúde começou a distribuir pela internet um material com os dizeres: “eu sou feliz sendo prostituta”

 

Claro que o material não visa incentivar ninguém a virar prostituta.

 

Ele só alerta para a importância de que se use camisinha para a prevenção de DST e tenta mostrar que prostituta não merece apanhar na rua pela sua escolha profissional.

 

Mas… no mesmo dia em que esse sopro de bom senso acendeu um otimismo em algumas pessoas, uma enxurrada de moralismo fez o projeto naufragar.

 

A bancada igrejeira bateu o pé e, mais do que depressa, o ministro da saúde e possível candidato a Governador de São Paulo, Alexandre Padilha, já recou até a idade média e vetou o projeto.

 

Em todos os partidos, aliados e oposicionistas, ouvimos a gritaria moralista.

 

Talvez devêssemos pedir a opinião daquele pastor que está com muita saudade da rabada da fiel… aquela com agrião…

 

Em São Paulo, o governador Geraldo Alckmin vai lançar a cartilha que ensina as 37 mulheres que são estupradas por dia a não serem estupradas.

 

Um governo que foi eleito com um pensamento de centro-esquerda vai indo no mesmo caminho.

 

Nesse, como em muitos outros casos que envolve direitos humanos, o governo dá 10 passos atrás.

 

Em vez de começarmos a discutir uma legalização da prostituição, para todas ter direitos e proteções legais, o governo é abafado.

 

É preciso deixar de moralismo e encarar algumas questões de frente: ano que vem, turistas virão pra cá e a demanda por prostituição crescerá.

 

Alguém vai dizer que não?

 

No Brasil, uma campanha para redução de riscos vira apologia à prostituição.

 

John Lennon dizia, na década de 70, “all we need is love”.

 

Dilma, quarenta anos depois, diz “all we need governabilidade”, “all we need tempo de TV”, “all we need se eleger em 2014”.

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5 respostas para Dilma e os igrejeiros: ela só pensa em 2014

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