Maconha: “a new business plan”

"eu canto assim porque eu fumo maconha"

“eu canto assim porque eu fumo maconha”

Deu na BBC

O empresário James Shively, ex-executivo da Microsoft, observou que o mercado legal da maconha nos Estados Unidos é enorme e chegou à conclusão de que é possível explorar o potencial comercial do negócio.

Shively planeja criar a primeira marca de cannabis e ser o líder na distribuição legal da droga no país. A ideia é abrir uma rede para vender maconha em moldes semelhantes aos da cadeia Starbucks, que domina o mercado americano de cafeterias.

O uso, a venda, e a posse da maconha são ilegais nos Estados Unidos em nível federal. Mas os Estados de Washington e Colorado já aprovaram em referendo o uso recreativo da droga, e outros 18 Estados permitem o consumo com fins medicinais […]

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva 

Esse blogueiro, em missão eminentemente jornalistica, esteve no último feriado na cidade de Jacareí, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo, para cobrir – ao lado do outro editor desse blog, Bruno Pavan – os Jogos Universitários de Comunicação e Artes, o seu JUCA.

Entre os eventos recreativos dos Jogos, a atração principal foi o show de Marcelo D2, com a participação de todas as universidades presentes no JUCA – um seleto grupo formado pelas maiores escolas de comunicação de São Paulo.

O show do D2 – quem já viu sabe – tem uma característica que se sobrepõem ao som de qualidade que propaga pelo ar.

É o cheiro.

Um cheiro forte e adocicado, balsâmico, que remete a gente ao balanço suave do mar – a marola.

Um show do D2 é a prova incontestável de que a Guerra Contra as Drogas fracassou.

Um show do D2 no JUCA é prova incontestável de que essa guerra, além de vã, cria um apartheid social entre a periferia e o asfalto.

O apartheid, por sua vez, gera vítimas todos os dias – basta ter estomago para ler o jornais e constatar isso.

O D2 no JUCA mostra que a maconha no Brasil não é apenas legal, como é um tremendo sucesso, comercial e de crítica – estão ali os futuros formadores de opinião, não é isso? Jornalistas, publicitários, radialistas…

O jovem W.L., 17 anos, morador do bairro periférico onde ficou hospedado em Jacareí o alojamento da PUC-SP, me contou um pouco do dia a dia da comunidade e do convívio fraterno dos jovens do local com a Polícia Militar.

W.L., que trabalha em um hospital da cidade, já foi agredido duas vezes na volta do trabalho por policiais da ROCAM, “saio tarde, às oito…“.

Mas o que assunta mesmo é a ROTA: “sempre que eles vem [de São Paulo] morre um; não saí ninguém na rua”.

A vizinhança de W.L. que nos recebeu muito bem – inclusive abrindo as portas de suas casas aos estudantes – tinha um notório comércio de tóxico.

A ”boca” era na esquina da escola onde estava o alojamento. Mas imagino que ninguém deve ter comprado nada ali. Isso porque, quem tinha que ter, já tinha.

O tráfico de drogas não se resolve com a “””inteligência””” da PM de São Paulo. O tráfico de Drogas se resolve no Banco Mundial, ou coisa assim.

É um mercado que movimenta 1,6 trilhão de dólares ano. É um produto demandado por um amplo mercado ao redor do mundo.

A droga é um grande negócio, que deve ser encarado pelo Estado. Regulado, tributado, minimizado em seus danos por políticas públicas – financiadas por esses tributos.

Não seria muito mais óbvio comprar um back na cafeteria do James Shively ao invés de comprar do Zé Pequeno?

Não é justo criminalizar o usuário, muito menos condenar gerações inteiras de jovens pobres cooptados pelo tráfico – tudo isso porque o Estado se acha dono de nossos corpos e almas.

Precisamos de mais D2; mais Mujica; um pouco mais de James Shively; e menos Leviatã, muito menos…

Anúncios

Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
Esse post foi publicado em Brasil, Crônicas, Economia, Uncategorized. Bookmark o link permanente.

6 respostas para Maconha: “a new business plan”

  1. Pingback: Proibir como o caminho mais fácil |

  2. Pingback: Protestometro |

  3. Pingback: Comportamento em xeque: alunos do ”Band” querem usar saia |

  4. Pingback: Empatirol: o remédio pro século XXI |

  5. Pingback: A queda do muro ideológico |

  6. Pingback: Globo defende legalização da maconha. Eu não tenho ciúmes! |

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s