Proibir como o caminho mais fácil

Por Bruno Pavan

Este editor já escreveu aqui sobre a PL do Nascituro.

Hoje o projeto passou na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

O motivo, meu caro colaborador, do projeto ter passado por essa comissão é que ele prevê um “Bolsa Estupro”.

Para garantir o direito do nascituro e “diminuir” o número de abortos por conta de estupros, o PL prevê que o algoz da mulher e “pai” da criança pague uma pensão mensal para a subsistência do fruto de sua violência.

E, como diz aquela propaganda de bugigangas na TV, não é só isso…

Ele também obriga que o nome do estuprador apareça na certidão de nascimento da criança e proíbe o congelamento, a manipulação ou o uso do nascituro como experimento, com pena de UM A TRÊS ANOS DE PRISÃO (desculpem a caixa alta).

Convido o colaborador a pensar junto comigo: qual a mulher que vai abrir mão de um aborto fruto de um estupro por que o algoz vai lhe pagar uma pensão e registrar a criança?

Ele também terá o direito de visitar mãe e filho?

Desrespeito tamanho com a mulher só pôde ser visto 500 anos atrás. E olhe lá…

O Estado proibitivo que vivemos é extremamente perigoso e cerceador de liberdades.

Ele se acha dono de nossas mentes e almas, como no caso da guerra contra as drogas.

Em vez de dar um passo pra frente, quer ainda tratar as prostitutas como páreas na sociedade.

É mais fácil sair proibindo tudo do que sentar e regular as coisas.

O liberalismo acredita que o mercado se regula sem Estado, mas a vida privada do cidadão, o que ele faz de seu corpo, com quem ele se casa, como ele compra banana e pão, aí precisa de regulação.

Proibi-se tudo e prende-se todo mundo para dar uma satisfação a sociedade.

Direitos das mulheres são postos para escanteio em nome de uma instituição que, teoricamente, não deve ter rosto: a família.

A Família®, junto com a Tradição® e a Propriedade® (não necessariamente nessa ordem) já foi incentivadora de um golpe em terras tupiniquins.

E o cerne da questão, como sempre, não é atingido: o que a sociedade brasileira fez pela mulher pobre que aborta?

Deixemos a hipocrisia um segundo de lado, caro reaça, e vamos admitir que mulheres abortam no Brasil.

Algumas vão pra fora, outras pagam caríssimo em clínicas clandestinas aqui no país e outras tantas fazem em qualquer lugar.

O Estado vira a cabeça pro outro lado e finge que nada vê.

Sai de fininho…

E a gente continua acreditando no proibitismo, no sistema carcerário, nos livros na estante, na ordem e no progresso…

E cante aí, Marcelo Nova, porque esse papo já me encheu os culhões…

Clique aqui para saber o que a blogueira Lola Aronovich pensa do assunto.

Em tempo: a amiga do blog Deborah Duncan lança uma sugestão aos cartórios brasileiros: no campo sexo colocar as opções ( ) Masculino ( ) Útero ambulante

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2 respostas para Proibir como o caminho mais fácil

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