Democracia: a caneta e a vidraça

 

Por Bruno Pavan

Esse editor bate incansavelmente na tecla de que ser cidadão não é fácil.

Mas as opiniões sobre o protestos desses “desocupados” acendeu uma outra luz nesta singela cabeça: a democracia não é uma coisa fácil.

Uma tarde nas redes sociais, onde sai muita coisa boa mas sai também muito chorume, é o bastante para chegar a essa conclusão.

O protesto pode ser questionado por inúmeros prismas.

Só não dá pra escutar que ele não é legítimo.

O esvaziamento dele é assunto quase que recorrente.

Existem os argumentos clássicos do “eles não precisam atrapalhar o trânsito”.

Alguns querem criar a cota de renda. Se você não for pobre, não tem direitos e não deve ir pra rua protestar.

Outros vão questionar que existia por trás motivos partidários, como se os protestos no Brasil fossem organizados pelo fã clube dos ursinhos carinhosos.

Partido político existe pra isso, amigo colaborador.

Pra completar a lista tem aqueles que acham que você deixa a sua cidadania na urna, assim que vota num candidato.

“Votaram no Haddad agora aguenta…”

Numa hora dessas é que minha gangorra ideológica dá rodopios no ar.

No lado A há aqueles que acham que a PM tem que bater mesmo.

No lado B há aqueles que não aguentam ser vidraças.

Posso falar por mim, caro colaborador.

Depositei na urna, em outubro passado, dois votos em Fernando Haddad.

Junto com ele foi também uma esperança que se transformaria em responsabilidade no dia primeiro de janeiro de 2014.

Não ajudei a eleger a Haddad para ser intocável.

Ajudei para ser prefeito, ter a caneta e as decisões nas mãos e pensar a cidade de forma diferente.

Mas também para ser vidraça.

Perdi a conta de quantas estrelas vermelhas vi voar nas vidraças alheias.

E com razão.

Existem protestos por inúmeros motivos.

Mas o alvo é SEMPRE o poder.

O poder pode mudar de mãos de quatro em quatro anos.

Esquerda ou direita.

Mas vai ser sempre o poder.

Logo, alvo de críticas.

Por R$0,20 centavos ou por R$ 1 bilhão.

O Estado muitas vezes é o verdadeiro baderneiro.

De tanto confrontar a população, uma hora o Estado vai ser confrontado.

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3 respostas para Democracia: a caneta e a vidraça

  1. Tá, mas eles não precisam parar o trânsito. Brincando, mas sinceramente acho que a parte de vamos quebrar tudo é desnecessário, confere?

  2. Pingback: Por um mundo com mais política |

  3. Pingback: Não é sobre 20 centavos, estúpido |

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