O que os “desocupados” fazem por você?

Por Bruno Pavan

Em 2011 estava indo para o escritório e me deparei com uma manifestação.

Era o pessoal do Mackenzie que protestava contra a adoção do Enem como processo seletivo na faculdade.

Claro que eu eu não concordei com o protesto, já que se tratava de uma mobilização de exclusão e, nisso, o sistema capitalista já é mestre.

Mas, olhando o copo meio cheio, vi um lado bom naquilo tudo: os alunos, grande parte nascidos em famílias ricas, tiraram a bunda da cadeira e foram pra rua.

Sem entrar no mérito, mas eles acreditavam naquilo e atrapalharam bastante o trânsito naquela manhã ocupando uma faixa da Consolação.

Ser cidadão não é tarefa das mais simples.

Não existe um SAC que você pode devolver a cidade e trocar por outra.

No começo desta semana aumentou o preço da passagem dos ônibus e metrô na capital de SP.

Vinte centavos diários que pesam na parte mais senível do trabalhador: o bolso.

Atrapalham a vida do nosso amigo Vagner, que chegou do Ceará para juntar dinheiro e se casar.

A juventude, chamadas por muitos de acomodada, saiu às ruas na tarde/noite da última quinta-feira (06/06) para protestar.

Protesto que atrapalha o trânsito, entra em confronto com a polícia e tudo mais.

Tudo que a nossa classe média odeia.

Mas o mundo não acaba nas petições onlines e # do twitter.

O mundo é mais que isto.

Hoje, na ressaca do protesto, muitos acusam os manifestantes de baderneiros.

Quebraram estações do metrô e “confrontaram” a polícia.

Esquecem das vezes que o Estado “badernou” a vida da população.

Quando o metrô pára por falha técnica, o Estado baderna a vida do cidadão.

Quando a polícia, para vingar a morte de um dos seus, faz chacina na periferia, o Estado baderna a vida do cidadão.

Quando aumenta-se o preço da passagem sem nenhuma melhoria dos transportes públicos, o Estado baderna a vida da população.

Como bem lembrou o Murilo no seu Facebook hoje pela manhã: Locke e Hobbes já previam que quando o “Estado se vira contra a população, o indivíduo passa a ter o direito de se virar contra o Estado”.

E você, caro reaça, tem sim a ver com tudo isso.

O que está acontecendo hoje com o trabalhador que paga “míseros” vinte centavos a mais na passagem, pode acontecer com você daqui a pouco.

Não é você que reclama do excesso de carros na cidade? Que o “miserável que nunca leu um livro” anda de carro? E você acha que isso acontece por quê?

É lutando por um transporte público de qualidade que mais pessoas vão poder deixar o carro em casa e confiar no Estado como garantidor de sua locomoção.

Como a luta dos Sem Terra, que deixa o tomate da Dona Maria mais barato.

É juntando vários braços que a gente faz um país.

Assista o vídeo da TV Carta sobre o protesto

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7 respostas para O que os “desocupados” fazem por você?

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  3. Mackenzie sempre (desde 64, quando você ainda não era o editor chefe do blog) foi reduto dos ricos, contra os quais nada tenho. Mas eles reclamando em passeata fica até engraçado. A faixa de protesto era Aramani? Insisto: não dá pra pedir com jeito? Tem mesmo que quebrar, tá no manual, não existe mesmo outra alternativa, confere?

  4. Gilberto disse:

    Belo pensamento, concordo com tudo, quase não uso transporte público, mas sou completamente a favor das manifestações, aumentar o valor de uma passagem sem oferecer nenhuma melhoria há anos? governo faz o que quer protestantes também protestam da maneira que querem!

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  7. Ana Suzuki disse:

    Não concordo com o vandalismo, porque depois nós mesmos é que pagamos os estragos e também porque é desnecessário. Bonito é ver o pessoal tirar a bunda da cadeira, e usar o protesto online apenas como suporte para o protesto ao vivo. Tem de ser ao vivo, porque o
    povo, quando sofre, é ao vivo.

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