O jornalismo que merece desaparecer

nossos bons reaças mereciam coisa melhor

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Deu no F5, da Folha:

Rodrigo Bocardi fez um comentário polêmico durante apresentação do “Bom Dia SP” na manhã desta sexta-feira (7).

O jornal exibiu algumas reportagens sobre protesto contra o aumento da tarifa de ônibus em São Paulo que ocorreu na quinta-feira (6). A manifestação acabou em confusão quando passou pela avenida Paulista e terminou com 15 pessoas detidas

Na última reportagem, ao vivo, a jornalista Patrícia Bringel explicou que alguns manifestantes já estavam liberados após pagarem fiança, com valores que variavam de um salário mínimo até R$ 3 mil.

Ao fim da explicação, o apresentador se manifestou: “Alguns deles não tem R$ 3,20 ou 20 centavos a mais para pagar a passagem de ônibus, mas têm R$ 3 mil para pagar a fiança.”

Saindo do Foco:

Por Murilo Silva 

Como já descreveu esse blog, mais que uma crise, a mídia passa por uma verdadeira revolução  – o dinheiro está mudando de mão.

Mesmo solidário com os amigos demitidos, esse blog se permite fazer uma provocação: a quem, e ao que, serve o nosso jornalismo?

No final da tarde de sexta-feira (07), por volta das 19h20, os manifestantes do Passe Livre ocuparam a Marginal Pinheiros – por lá teve início um confronto que reproduzia a batalha campal do dia anterior, em plena Avenida Paulista.

Como se sabe, o PAC III vai acabar com esse “problema” criando um “Protestometro” – antiga revindicação da elite paulista.

Nesse horário, 19h20, da sexta; os relatos, fotos e vídeo eram compartilhados por milhares de pessoas nas mídias sociais, tudo em tempo real.

No mesmo horário haviam 4 telejornais no ar na TV aberta (quatro!) – todos ancorados em São Paulo – e mais um canal de notícia na TV fechada. Nenhuma imagem, nenhuma notícia.

O cidadão que estava saindo do trabalho ou de casa para pegar a Marginal Pinheiros na região da Cidade Jardim, e que confia na TV  para se informar e para tomar decisões, foi traído.

Ele não pode contar com a TV nem pra saber o caminho que deve ou não pegar para casa, quem dirá para debater a relevância política do movimento.

Mas nem tudo está perdido, porque se ele não tem informação, pelo menos tem o Rodrigo Bocardi para pensar por ele. Veja aqui, que televisão não é lugar de editorial.

E como pensa esse Bocardi, não é, bom reaça?

O jornalismo é uma atividade essencialmente liberal. Não é possível se fazer jornalismo no totalitarismo. O jornalismo e a Democracia são gêmeas siamesas, que compartilha um único rim. São inseparáveis.

O desprezo que o rapaz demonstra pelo exercício da liberdade, o preconceito político, tudo isso envenena a vida da irmã que deveria viver colada em seu corpo.

Um jornalismo que não serve para informar e que não serve para defender a Democracia, não serve para nada, e merece mesmo desaparecer.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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4 respostas para O jornalismo que merece desaparecer

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