Você merece…

Por Bruno Pavan

São tempos de pouco amor em SP.

Ser cidadão não é fácil, como já disse este editor.

Tivemos uma semana singular, de protesto de “baderneiros”, que fazem muito por você, na terça, e data capitalista, o dia dos namorados, na quarta.

Este editor faz o mesmo caminho de volta pra casa todo dia na mesma hora.

Na terça, saiu da Praça Carlos Gomes, no centro de SP e pegou a Avenida Liberdade  sem trânsito algum.

A única coisa que ele viu fora do lugar foi o vidro do Bradesco da Praça da Sé quebrado.

(Mas tranqulize-se, amigo reaça, ele já foi arrumado)

Na quarta, passou pela mesma Avenida Liberdade com um trânsito considerável.

Ninguém ali parecia estar aborrecido com todos aqueles carros indo pra não sei onde no dia dos namorados.

Ficam incomodados com o vidro de uma agência bancária quebrada e com manifestantes que atrapalham o trânsito.

Mas sorriem na fila de espera de duas horas num restaurante no dia festivo.

“Vamos a atividades do dia: lavar os copos, contar os corpos e sorrir… a essa morna rebeldia”, disse Criolo.

A reclamação mais decorrente dos protestos é a depredação da patrimônio público.

Mas esquecem de quantas vezes o Estado depreda a vida do cidadão.

Se houvessem mais pessoas nos protestos, a minoria que depreda ficaria mais abafada em comparação com a grande massa de descontentes.

E, de quebra, com mais pessoas nas ruas, a polícia temeria a população e não o contrário.

A manifestação não é por R$ 0,20.

Havia uma demanda que só estava esperando a primeira faísca para protestar.

Os R$ 0,20 se transformaram em muito mais.

O Jornal Nacional de ontem escutou várias fontes sobre o protesto: cidadãos descontentes com o próprio protesto, autoridades, polícia… só esqueceu de escutar os manifestantes.

A chamada dizia: “nos protestos de ontem oito policiais foram feridos e 20 manifestantes foram presos.”

Veja bem, amigo colaborador, para o telejornal mais visto no Brasil, não houveram manifestantes feridos.

Houveram, sim, manifestantes PRESOS.

O que tem a dizer Bonner e Poeta (e Ali Kamel) sobre o jornalista que foi espancado por quatro PMs?

Liberdade de expressão só é boa no Clarín?

Nesse momento é que se descobre o tipo de jornalismo que merece desaparecer.

E os cidadãos viram subproduto desse tipo de jornalismo.

Temem o Estado quando a relação deveria ser o oposto.

“Você deve rezar pelo bem do patrão e dizer tudo tem melhorado…”

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