A rapaziada está sentido falta de um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim

Por Bruno Pavan

Este editor de orgulha de ter amigos inteligentes e influentes.

E aprende muito com as conversas que tem com eles.

Na última delas, situada num antro capitalista, uma praça de alimentação, percebeu que dois deles estavam bem desenganados com a nossa política.

Para proteger o off das fontes, identificarei os amigos como Caio Prado Júnior (o amigo economista) e Raimundo Faoro (o amigo advogado).

Prado, veja bem, apelou para o discurso do “todos os políticos são iguais”.

O mais grave disso tudo é que este editor, que acredita na política, não conseguiu rebater o argumento.

Faoro vai na mesma linha e cita Cazuza: “seu partido nada mais é que um coração partido”.

Logo ele, de família politizada e resistente da ditadura.

Este editor pouco teve a adicionar ao debate.

Tomava o seu café e escutava.

Faoro, com memória de elefante, lembrou de um fato que pode ter mudado a política nacional pra sempre, e que este editor concorda (já que só tinha 5 anos à época)

A tradução é livre.

Itamar Franco, quando recebeu a granada sem pino de um governo Collor sem apoio algum no colo, chamou todos os partidos para um governo de coalisão.

O momento era propício e o país pedia socorro.

A maioria dos partidos brasileiros atendeu ao chamado de Itamar.

Uma ala do PT achava que a saída era essa.

Outra ala, maior, achava que não.

O país pulsava por mudança, Lula foi o candidato derrotado em 89 logo, a próxima eleição era dele.

O pensamento, à época, era legítimo e fazia sentido.

Itamar chamou Luíza Erundina, então do PT, para seu governo.

E ela aceitou.

Como a ala majoritária do PT acreditava que o governo naufragaria, expulsou a voz dissonante do partido.

Depois disso um nome se destacou no governo: Fernando Henrique Cardoso.

Virou ministro da Fazenda, virou pai do real, e o resto a história conta.

PT e PSDB, na criação, eram partidos com ideias próximas.

Seriam, teoricamente, a esquerda no processo de democratização.

Contra PFL, PPB, PL e todos os filhotes da ditadura.

Mas, assim como o PT errou em ir contra o governo de coalizão, o PSDB errou na mão da receita neo-liberal nos oito anos de FHC.

E as alternativas trabalhistas e social democrata se distanciaram.

Hoje, os tucanos capricham no discurso da ordem, pois não querem dcepcionar seus eleitores.

Manifestantes são “vândalos” e olhamos a PM voltar ao tempo obscuro da repressão.

Quem trai seus eleitores é o prefeito Fernando Haddad.

Cai no mesmo saco do governador com a truculência de “a tarifa não vai baixar”.

A ideia do Passe Livre na cidade de São Paulo nasceu na gestão Luiza Erundina.

E agora virou argumento de “vândalos”.

A esquerda se envergonha de dizer seu nome, já bem disse Vladmir Safatle.

E este editor, tristemente, aceita o argumento dos amigos pois, como disse Paulinho da Viola, “não altera o samba tanto assim”

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