Perguntar não ofende

 

Por Bruno Pavan

Cada dia que passa há mais opiniões sobre o que acontece (e o que acontecerá) no Brasil dos protestos.

Primeiro foi a presidenta Dilma que defendeu, em horário nobre na última sexta-feira (21), algumas bandeiras levantadas pelas ruas.

Falou de royalties pra educação, PAC mobilidade (bombas jogadas no colo do Congresso Nacional) e defendeu os partidos.

Segnda-feira (24) ela falou de novo, na presença de prefeitos e governadores.

A pressa de dar uma resposta às ruas parece que fez a presidenta queimar a língua, como se diz no dito popular.

Falou em assembleia constituinte para fazer a reforma política.

Uma constituinte exclusiva que, na opinião dos mais respeitados constitucionalistas do Brasil, não era possível.

Não esqueça da minha Constituição, já disse aqui este blog.

Ontem Renan Calheiros falou.

A habilidade política do senador é de deixar qualquer um abismado.

Não via a reação dos senadores quando saiu de sua cabeça a ideia do passe livre pra estudante, a primeira reivindicação das ruas.

Mas devem ter caído das cadeiras

Ora, os estudantes, estes mal agradecidos, pediam a sua saída da presidência da casa dias atrás.

Em um certo momento de seu pronunciamento, Renan, que parece estar afinado com as reivindicações do Facebook, atacou o auxílio reclusão, a ajuda do previdência social a família dos que estão presos e contribuíram com o INSS.

Esse é o problema de mexer na Constituição Federal.

Podemos ir pra lá com um dúvida: voto em lista ou distrital?

E voltar com a maioridade penal aos oito anos.

Mais tarde, falou o presidente do STF Joaquim Barbosa.

Que disse ser a favor do plebiscito, do candidato sem partido (legislou em causa própria?) mas não disse nada sobre a assembleia constituinte.

Michel Temer, o vice-presidente e constitucionalista, disse não ser possível.

(Será que Dilma não escutou seu vice antes de tal pronunciamento?)

Este editor tem mais perguntas do que respostas.

Quer saber, por exemplo, o que será perguntado no plebiscito.

Distritão? Distrital misto? Lista aberta? Lista fechada?

Mas, amigo colaborador, a reforma não é só eleitoral, é política…

O financiamento de campanha vai entrar na pauta?

Vai dar tempo de explicar pro grande público o que é o quê?

Com perguntas assim não corremos o risco de passar um cheque em branco para o Congresso?

Desculpe esse meu jeito meio desesperado de dizer as coisas, mas é que neste exato momento eu não sei como o Brasil sairá de todo esse processo.

Ao mesmo tempo que vejo uma oportunidade de reforço da democracia direta, o que claramente é bom, vejo os aproveitadores prontos para darem o bote no melhor estilo “só estou querendo ajudar”.

É o ônus da democracia, que não é perfeita, mas ainda não inventaram nada melhor.

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