O sexo dos velhos é a política

politicamente correto: o Fora de Foco quer reiterar todo seu repeito a terceira idade

politicamente correto: o Fora de Foco quer reiterar todo seu repeito a terceira idade

Por Rafael Costa e Murilo Silva

Enquanto a bola da Fifa rolava em Minas Gerais, votações às pressas de projetos populistas no Senado davam a mostra de como o legislativo age com aquilo mole ao responder a libido fervente das ruas. 

A masturbação pública versou sobre tornar a corrupção crime hediondo, redução no número de ministérios e outras picardias. A discussão heliocêntrica dos políticos brasileiros não animou nem ao urubu do picadeiro mais aguerrido. Atitudes e palavras desencontradas com a reclamação popular.

Na discussão que calhou com a seleção do Galvão, o projeto do Senador Pedro Taques (PDT-MS), (de 2011!), que torna a hedionda corrupção um crime hediondo.

No balanço da maré, o imortal senador José Sarney (PMDB-AP), propôs uma emenda ao texto que tornava crimes em sua tipificação “simples” em crimes hediondos, em especial, o homicídio ”simples”.

Num primeiro momento, o relator da proposta inicial, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ponderou que talvez aquele não fosse o projeto adequado para contemplar a emenda imortal de Sarney – afinal, o texto tratava de corrupção.

Foi a senha para o início de um longo rito bajulatório. Começou com o próprio senador Sarney – “Além de desfazer uma distorção judiciária, eu tenho certeza que o povo brasileiro vai ficar feliz com isso”.

Em seguida, o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), que subscrevia a emenda de Sarney, apelou para a sensibilidade do colega de partido Álvaro Dias. Foi o suficiente, Dias se convenceu da ”importância e pertinência” da proposta do presidente Sarney.

Contudo, o rito bajulatório se estendeu por duas horas, com cerca de 15 oradores. A maioria deles elogiando a emenda do velho sábio. Duas horas de masturbação demagógica.

Nada de novo, a TV Senado apenas trocou a programação da tarde. As reprises da semana passada – épicos da operação paletó – deram lugar para uma seleção das piores chanchadas do Congresso Nacional. A turminha de espertos continua aprontando aventuras mil.

Desesperador pra torcida do sofá que esperava algum grito de ânimo, uma pílula azul para o líder de bancada, um cialis para o senador de bigodes! Podem chamar de sábio o “aspone”  o qual naquele momento alertou seu respectivo “El Comandante”, melhor alguém esboçar ao menos que terá uma ereção, senador, ou sair de fininho. Desta vez parece mais perigoso o avanço do Brasil na tabela da Copa das Confederações. Mantém o combustível dos protestos.

Findado o rito bajulatório de duas horas, a votação do texto:

Renan Calheiros, presidente da Casa: ”Os senadores que aprovam o texto, permaneçam como estão.

– Aprovado!

– Passemos as emendas. Os senadores que aprovam as emendas, permaneçam como estão.

– Aprovado!”

Duas horas pra subir, e quando sobe, dura menos de três minutos. Esse é o Senado da República.

Vem do saber popular uma receita afrodisíaca aos falantes populistas. Vão-se os anéis, ficam os dedos. A massa está sedenta por um corte na carne.  Um radical corte no passe livre oficial, fim de ao menos 80% dos carros a disposição dos eleitos que encarecem a folha das diversas casas senhoriais – isso sim, é mostrar que tens os bagos fortes, nobres parlamentares.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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Uma resposta para O sexo dos velhos é a política

  1. Mariana disse:

    Genial! hahahah

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