105 anos de Guimarães Rosa

um imortal que de fato resiste ao tempo

um imortal que de fato resiste ao tempo

De Victória Mantoan, do Piramide Invertida

Euclides da Cunha e Graciliano Ramos estão, junto com João Guimarães Rosa, no grupo de autores que, além do reconhecimento pela qualidade literária de suas obras, conseguiram trazer para todo o país um pedaço dos sertões brasileiros;  nordestino ou mineiro. Por fazer um retrato inusitado das realidades brasileiras (no plural, porque são muitas), eles entraram para uma seleta lista de escritores que não faltam nos vestibulares de universidades de todo o país e nem nas citações de intelectuais, sejam eles da área de Letras ou não.

Hoje, faz 105 anos que João Guimarães Rosa nasceu. Eu poderia ficar aqui fazendo análises críticas da sua obra, mas elas não são difíceis de encontrar, e feitas por gente com muito mais preparo que eu. Pois bem, para prestar minha homenagem, resolvi contar um pouco da minha história com ele.

Aos 15 anos, ganhei meu primeiro livro que levava o nome João Guimarães Rosa na capa. Sagarana reúne contos que, nem de longe, são os de mais fácil leitura. Comecei e me dei por vencida sem nem chegar na metade. Ficava me perguntando de onde ele tirava todas aquelas palavras de que eu nunca tinha ouvido falar. Às vezes elas formavam frases inteiras que eu simplesmente não conseguia compreender.

Na frente da casa da tia Verinha, minha então professora de inglês,  numa conversa  com um amigo, que provavelmente já tinha passado pelo mesmo caminho que eu na literatura, desabafei: “Eu não entendo absolutamente nada do que esse homem escreve”.

O Hugo olhou para mim, sorriu e disse: ” Guimarães não se entende, se sente.”

O encanto que a conversa me causou foi tanto que resolvi não desistir definitivamente, mas deixei Sagarana de lado por um tempo. Por isso, não digo que foi meu primeiro livro dele.

Já aos 17 resolvi dar uma segunda chance para esse mineiro apaixonado por neologismos. Assim, comecei a ler Campo Geral. Aos 17 anos (não faz tanto tempo assim), conheci Miguilim, a mais encantadora criança que a literatura brasileira me apresentou até então. As palavras continuavam inventadas, às vezes difíceis, porque são novas mesmo, mas consegui entender o que Hugo quis me dizer.

A cada palavra que Guimarães criava, nascia também um sentimento novo, um jeito especial de ver o mudo, de entender essa realidade que é totalmente estranha à de muitos de nós. E a cada releitura do mesmo texto, essas palavras adquiriam significados diversos […]

Leia a integra no Piramide Invertida

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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