Instinto de sobrevivência

"quero dizer a essa Casa e ao País, que estou apresentando o projeto que garante Passe Livre para os estudantes"

tudo passa, menos eles

“Quando há sangue nas ruas é hora de investir”

A frase é atribuída a Junius Morgan, inglês, fundador da Casa Morgan, e pai do lendário J.P. Morgan, banqueiro e trust americano.

(Esse blogueiro recomenda entusiasticamente a série: “Gigantes da Industria”, do History Chanel)

A frase define bem o que Delfim Neto chama de “instinto animal do empresário”.

Ocorre a esse editor que a classe política, pelo menos parte dela, também se move por um “instinto animal”.

Mas ao contrário do apetite predador que move o investidor – em especial em momentos de crise – os políticos são movidos por um extinto de sobrevivência.

Essa manhã, fui acordado por um amigo assustado ao telefone.

Ele não sabia mais se estava no Brasil: “como o Renan propôs o Passe Livre? O que foi que eu perdi?”

Renan, caro colaborador, é um sobrevivente.

Um veterano.

Conhece como poucos seu metiê.

Renan se reveste de uma oportuna agilidade ao propor o Passe Livre, e ao pedir urgência em sua votação. Age como um animador de auditório, jogando bacalhau na platéia.

Animadores de auditório raramente são alvos da fúria popular.

Ele, que nas duas últimas vezes em que assumiu a presidência do Senado foi alvo de denúncias e de protestos populares e que, tão solenemente os ignorou, sentiu a gravidade do momento.

Hoje, as ruas voltam a inserir Renan no topo da lista de guilhotinaveis.

Para Renan é relativamente fácil a solução.

As favas com as planilhas do Haddad, quem tem a caneta que se vire para garantir o que é da lei.

A lei proposta pelo Renan, a lei da selva.

Na política, só os fortes sobrevivem.

Renan sabe disso como poucos. Jovem deputado de Alagoas, Renan foi aliado de primeira hora – talvez o único – do jovem governador do estado, Fernando Collor, em seu voo presidencial.

Renan fez parte da coordenação da campanha.

Collor chegou lá, mas na hora de retribuir ao aliado de primeira hora, Renan – líder de seu governo no Congresso – uma força maior se alevantou.

Renan queria ser governador de Alagoas, mas Collor preferiu apoiar, por baixo dos panos, o candidato de um aliado mais intimo. Collor apoiou o candidato de PC Farias, Geraldo Bulhões.

Renan perdeu a eleição. Sentiu o golpe, mas não declarou guerra ao Planalto como desejava, sobreviveu. Deixou o PRN calado.

Anos depois, já com a CPI instalada – depois de uma matéria de capa da revista Veja, onde o ex-presidente da Petrobras, Motta da Veiga, relatava as pressões, no mínimo obscenas, que sofrera à frente da estatal por parte de PC com, segundo ele, a condescendência do Presidente – Renan rompeu seu silêncio.

A capa era a segunda acusação direta de um personagem graduado do poder nacional.

Àquela altura, Pedro Collor já havia feito seu estrago na capa de Veja.

Era hora de sobreviver novamente.

Renan abre o jogo depois de uma longa negociação com os repórteres de Veja. Mário Sérgio Conti, narra bem essa história em seu ”Notícias do Planalto

Renan precisava se descolar da doença que atingia Collor. Como ex-líder do governo, ele revela nas amarelas de Veja:

O presidente sabia. Quem ainda acha que Collor não sabia se engana.

Veio a matéria da Isto É, com Eriberto Silva, o motorista da Elba – a faca no coração – e depois, os caras pintadas.

Collor caiu. Renan sobreviveu, e muito bem.

Está aí para sobreviver a mais essa, enquanto há sede de “sangue nas ruas”, o sangue dele, seus extintos se afloram.

Renan mostra que o Congresso está vivo (no pior sentido da palavra), e está disposto a entregar os anéis, se isso significar passe livre para os dedos.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
Esse post foi publicado em Brasil, Mídia, Política e marcado , , , , , , , . Guardar link permanente.

2 respostas para Instinto de sobrevivência

  1. Pingback: O Congresso terceirizado |

  2. max masciarelli disse:

    Eu assisti a serie gigantes da industria e recomendo é
    excelente!!!!!!!!!

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