Ditadura uruguaia: o futebol como contra-ataque do povo

Símbolo do Defensor, time que começou a derrubar a ditadura uruguaia

Por Bruno Pavan

Não é novo dizer que o futebol é “instrumento de alienação” do povo.

Você, caro colaborador, já deve ter escutado esse sermão, se for amante do esporte bretão como eu, ou dito isso pra alguém.

Ainda existem os que reclamam que “o brasileiro só é nacionalista em época de Copa”.

Vendo os nacionalistas nas ruas rasgando bandeiras de partidos e movimentos sociais, prefeiro mesmo que eles fiquem guardados e só apareçam de quatro em quatro anos.

O futebol mexe com a grande massa.

Não só no Brasil como na maioria dos países do mundo.

E pode sim ser usado como arma política.

Os inimigos da democracia fazem isso muito bem.

Ano passado o jornalista Lúcio de Castro dirigiu uma série de documentários sobre como as ditaduras sul-americanas usaram o futebol como afirmação de seu poder.

E há histórias interessantíssimas sobre como o povo pegou o futebol e virou contra os autoritários.

No Uruguai, por exemplo, em 1976 o pequeno Defensor desbancou os gigantes Peñarol e Uruguai, times que tinham a simpatia dos ditadores de lá.

O técnico da equipe José Ricardo de León, era um homem de esquerda que fora vetado como treinador da seleção uruguaia.

Por conta disso o pequeno estádio Luis Franzini era um dos únicos focos de resistência no país.

Depois da conquista do título, os jogadores do Defensor, numa sútil atitude subversiva, fizeram a volta olímpica ao contrário, ou seja, da esquerda para a direita.

Talvez a maior rasteira passada do povo no governo ditatorial uruguaio foi o episódio do Mundialito em 1980.

Antes do campeonato, o governo tentou , a partir de um plebiscito, dar aprovação popular a ditadura.

E o povo disse não!

O Mundialito era um evento para mostrar ao mundo a força do governo uruguaio.

Mas, quase que sem querer, os presentes no estádio na final entre Uruguai e Brasil deram o xeque-mate na ditadura.

Poucos minutos antes de acabar o jogo a banda militar entrou no estádio e começou a tocar algumas músicas típicas.

Como a seleção nacional estava vencendo, mas passando um sufoco dentro de campo e o resultado de 2 a 1 estava indefinido, os torcedores começaram a vaiar aquilo e gritavam “vai acabar, vai acabar a ditadura militar”.

A história mostra que os fãs de futebol não são tão ingênuos assim, como querem pensar os “politizadões” por aí.

E se os inimigos da democracia sabem usá-lo como arma política, porque virar as costas e jogar todos os amantes do esporte no saco dos “alienados”?

Assista os documentários da série:

Uruguai

Brasil

Argentina

Chile

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