A queda do muro ideológico

 

Por Bruno Pavan

Dilma que ama Bernardo, que ama Gleysi, que ama os ruralistas, que amam a propriedade, que ama a Tradição e a Família, que ama a bancada evangélica que não ama ninguém.

Perdão a Drummond pela homenagem torta, mas é esse o caminho conservador que trilha o governo Dilma.

Este blog já disse que Dilma tem medo dos conservadores.

Três notícias veiculadas ontem dão o tom de seu governo e, devidamente encaixadas, como na Quadrilha de Drummond, mostra muita coisa: a primeira é que a presidenta se reuniu com religiosos para “orar pelo Brasil”. Dentre eles estavam a bispa Sônia e seu marido, o apóstolo Hernandez, da Renascer, que dispensam apresentações.

A segunda é que o exército vai usar de armamento letal para conter manifestações na vinda do Papa Francisco ao Brasil.

Palavras de José Costa Abreu, responsável pela coordenação da defesa na Jornada Mundial da Juventude: “Isso (levantar cartaz) não será permitido, nós vamos retirar esse pessoal e eventualmente prendê-los por desacato. Vamos convidar que se retirem porque lá não é local de se manifestar.”

Não ria, caro colaborador, não se trata de uma notícia fake. Se trata do Brasil mesmo.

A terceira e última notícia (ufa!!!) é sobre um assunto que este blog também já abordou: o fracasso da guerra anti-drogas no Brasil.

O número de presos pro tráfico aumentou 30% nos últimos dois anos, mas, segundo a ONU, o consumo de maconha a cocaína no Brasil também aumentou.

“Quando as pessoas vão para a cadeia, se elas não têm ligação com o crime organizado, passam a ter. Isso devolve para a sociedade pessoas ainda mais violentas”, argumentou o advogado Pedro Abramovay que chegou a ser cotado para ser o secretário nacional antidrogas mas foi rechaçado pelo Planalto por defender abertamente uma mudança na Lei Antidrogas brasileira.

A presidenta foge do debate sobre uma mudança de visão estatal das drogas no país, mesmo com o fracasso retumbante das políticas vigentes.

Nessa questão (rsrs) ela se considera “conservadora”

Este editor volta a citar o filósofo Vladmir Safatle, presença frequente nesse humilde espaço.

Para Safatle, os protestos de Junho pelo país vão servir pra polarizar o deabte político nos dois extremos.

Não terá mais espaços para muros ideológicos.

A esquerda terá que dizer seu nome e pra que veio.

A direita também.

(Justiça seja feita, a bancada igrejeira pode ser acusada de muita coisa, menos de não ter uma posição clara.)

O muro de Dilma, assim como aquele de Berlim, está ruindo.

E ela vai ter que cair pra um lado.

O muro pode virar o das lamentações em 2014.

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Uma resposta para A queda do muro ideológico

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