Barbosa é tábua de tiro ao álvaro

uns querem a máscara outros a cabeça

uns querem a máscara outros a cabeça

O ministro Joaquim Barbosa é o alvo número um de dois lados.

O Lado A quer torná-lo o candidato da salvação da Casa Grande.

E o Lado B não quer vê-lo na posição de candidato, mas não percebe que ao centrar a crítica política em sua figura, o coloca onde o Lado B não gostaria de vê-lo: no palanque da Casa Grande.

Quase diariamente se “revela” um bombástico factoide envolvendo Joaquim Barbosa.

O filho que foi trabalhar na Globo;

A visita ao camarote do empregador do filho, Luciano Huck – o que, aliás, demonstra muito mais o indisfarçável talento do moço para o lobby do que algum interessa subalterno que Barbosa possa ter;

O uso de avião da FAB – ao qual ele tem direito pelo cargo que ocupa;

A compra, absolutamente normal, de uma casa em Miami – o metro quadrado em Boca Raton é mais barato que no Leblon;

Uma disputa trabalhista com a Universidade Federal do Rio de Janeiro;

Ou a última, o fato do ministro não ter cumprimentado a presidente na solenidade papal de ontem.

Barbosa pode não ter visto o gesto da presidente, ou eles podem ter se cumprimentado antes, na 1 hora que a presidente – junto com as demais autoridades – passou esperando a chegada do Papa ao palácio das Laranjeiras.

Barbosa ainda pode ter sido desintencionalmente rude, o que não é incompatível com sua personalidade.

Na pior das hipóteses, pode ter sido deliberadamente rude por não gostar da presidente, fato que não seria de se estranhar levando em conta o que a crônica política diz sobre o gênio dos dois.

Dois bicudos não se beijam, diria minha vó.

E daí? Apesar da presença Papa, não me consta que Barbosa tenha pecado.

Talvez soberba, mas como dizia Jesus Cristo, ”é mais fácil um camelo passar pela fenda de uma agulha do que um rico entrar no reino do céus” – entendo que o mesmo valha para os poderosos.

E daí que Joaquim Barbosa não goste da presidente?

No PT muita gente não gosta dela, assim como ela deve não gostar de muita gente lá, já que não foi ao encontro do diretório nacional do partido na semana passada.

Barbosa é um ministro do Supremo Tribunal Federal que, (está) presidente da corte nesse momento.

A relação dele com o Planalto é meramente protocolar, e assim deve ser.

Isso não faz de Barbosa candidato do DEM na próxima eleição, e nem de ninguém.

Barbosa não é político, mas foi alçado a essa condição virtual de protagonista por conta de sua atuação no julgamento da Ação Penal 470 – o Mensalão.

O Lado A pensou: “tá ai nosso passaporte de volta para o poder…”

O Lado B pensou: “juiz tucano da elite, capitado pela Globo, vamos queimá-lo!”

Não é verdade, nenhuma das duas coisas.

Barbosa já disse publicamente que votou em Lula e Dilma.

E já apontou diversas vezes seu dedo inquisidor em direção a Casa Grande

Mas o que Barbosa fez durante o julgamento do Mensalão para estar nessa posição?

O que ele fez foi ser coerente com o que sempre foi. Um juiz que saiu do Ministério Público mas que não desencarnou da função de acusador.

Um juiz com trejeito de promotor, uma combinação explosiva da qual Barbosa é produto.

Antes do mensalão, quando ele enfrentou colegas, como Gilmar Mendes – esse sim, centroavante do time da Casa Grande – ele era visto pelo Lado A como um ministro descontrolado. Pelo Lado B, era identificado como um exemplo progressista no judiciário, que como Lula, veio das camadas terras do tecido social.

A grande massa – manobrada ora por A, ora por B – doravante tratada aqui como C, sequer se atinha a existência de Barbosa.

Isso porque o STF está entre nós desde 1808, mas ele só passou a existir na consciência do cidadão médio no ano passado.

A, B & C, de modos distintos, esperam de Barbosa uma mesma coisa.

Que ele ocupe o protagonismo político ao qual, se acredita, ele está destinado.

Mas até aqui, Barbosa não age como um predestinado redentor.

Ao que tudo indica, Barbosa não tem vocação pra ser o Carlos Lacerda que o Lado A almeja;

Não tem vocação para ser o porta-voz da direita, capaz de unir as dissidências do Lado B contra si;

E muito menos, tem vocação pra ser Antônio Conselheiro, redimir os pecados e conduzir o Lado C.

 

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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