A especulação imobiliária e a mania de deixar o governo pra iniciativa privada

Por Bruno Pavan

A pesca se tornou o esporte favorito a elite brasileira.

Se não pra eles, pros pobres brasieiros, a quem, à todo momento, os mais bastardos dizem que seria melhor se soubessem pescar ao invés de “receber o peixe ” do governo federal.

Mas, para limpar sua barra perante a sociedade, socialites adoram uma campanha do agasalho.

A elite brasileira gosta do pobre, mas do pobre de estimação, aquele  que não quer mexer na distribuição de renda e de terra no país.

(Para entender melhor essa relação, este editor recomenda o filme “Quanto vale ou é por quilo”de Sergio Bianchi.)

Leonardo Sakamoto, em seu blog, coloca o buraco mais embaixo: o problema não é o agasalho, mas a especulação imobiliária.

E nesse aí, amigo colaborador, os filantropos não querem saber de procurar uma saída.

Os artistas que aparecem na campanha do agasalho são engajados, mas os sem tetos que lutam por moradia, por ocupações em prédios abandonados ou devedores da prefeitura, são vândalos!

O Minha Casa Minha Vida é essencial. Além de construir casas próprias, gera emprego, aquece a economia.

Mas ele não pode andar sozinho.

A urbanização em São Paulo perdeu completamente o controle.

No bairro em que esse editor mora, Interlagos, estão previstos os lançamentos de dois empreendimentos imobiliários em um espaço de 3km.

Em uma conta rasa e simples, quando eles estiverem funcionando com 100% de ocupação, aproximadamente 10 mil pessoas a mais circularão pelo bairro.

Um bairro que só tem uma fuga para o centro da cidade.

O urbanista de São Paulo é o capital!

E o capital é um monstro sem rosto e coração.

Como bem lembrou Sakamoto, governos tem mecanismos para melhorar o déficit habitacional nas grandes metrópoles.

O que explica prédios abandonados servindo de casas para ratos e baratas pela cidade?

O que explica grandes devedores de IPTU deitados em berço explêndido blindados por prefeituras em todos o Brasil?

Aquela época, nem um pouco saudosa, em que se acreditava que a iniciativa privada resolveria todos os nossos problemas parece que não acabou.

E os ricos de estimação de nossos políticos, nos dias de hoje, são os empreiteiros.

Que, não satisfeitos em ganhar um Maracanã de presente, recebem também a urbanização das grandes cidades.

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