Os revolucionários do papa não cheiram como a espírito juvenil

Por Bruno Pavan

Em um encontro com voluntários que trabalharam na Jornada Mundial da Juventude, encerrada neste domingo (28/07), o papa Francisco deixou uma mensagem: “sejam revolucionários!”

Curioso e pensando que a palavra de repente tomou um significado completamente diferente de uma hora pra outra, fui checar se revolucionários era mesmo o que eu estava pensando ser.

Tirei o celular do bolso (sim, sou um cara de esquerda com smartphone. Desculpem aos que acham que deveria viver nas cavernas) e procurei o verbete no dicionário instalado no aparelho. Eis o que encontro: “insurreto, insubmisso”.

Quando ouço a palavra “revolucionário” vindo de alguém com o poder nas mãos, não posso deixar de rir.

O papa, representante de uma instituição milenar, pede pros jovens serem insurgentes. Essa revolução serve para a própria igreja?

Jovens presentes no JMJ devem ir para às ruas em solidariedade as milhares de mulheres que morrem em abortos clandestinos no Brasil?

Devem sair às ruas para defender o direito de fazer sexo com camisinha?

O papa Francisco é sim uma pessoa que pode trazer frutos a igreja católica e a sociedade.

Mas é sempre importante lembrar que ele não é maior que a conservadora instituição católica.

Nesse mesmo encontro, Francisco perguntou se os presentes ali acreditavam no casamento.

Todos responderam que sim.

E este editor também acredita.

Acredita, inclusive, naqueles entre pessoas do mesmo sexo.

Sobre essa questão, ouça a resposta do papa na entrevista que deu no voo entre o Rio de Janeiro e Roma:

O mundo mudou, os jovens mudaram. Temos no Brasil muitos jovens, mas o senhor não falou de aborto, sobre a posição do Vaticano sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo. No Brasil foram aprovadas leis que ampliam os direitos para estes casamentos em relação ao aborto. Por que o senhor não falou sobre isso?

Papa Francisco – A Igreja já se expressou perfeitamente sobre isso. Eu não queria voltar sobre isso. Não era necessário, como também não falei sobre outros assuntos. Eu também não falei sobre o roubo, sobre a mentira. Para isso, a Igreja tem um doutrina clara. Queria falar de coisas positivas, que abrem caminho aos jovens. Além disso, os jovens sabem perfeitamente qual a posição da igreja.

E qual é a do Papa?

Papa Francisco – É a da Igreja, Ou sou filho da Igreja.

(…)

O que sr. pensa sobre a ordenação das mulheres?

Papa Francisco – Sobre a ordenação, a igreja já falou e disse que não. João Paulo 2° disse com uma formulação definitiva. Essa porta está fechada. Nossa senhora, Maria, é mais importante que os apóstolos. A mulher na igreja é mais importante que os bispos e os padres. Acredito que falte uma especificação teológica.

Falar sobre revolução fechando os olhos pra questões delicadas quanto essas é jogar pra torcida, pontífice.

Alguém avisou Francisco que estavam proibidas manifestações contra ele no país?

Avisaram a ele do Amarildo, que sumiu após  ter sido levado para a delegacia pelo BOPE, com quem Francisco tirou fotos?

Será que Francisco sabe o que é o Caveirão?

E sobre o Brasil ser o único país da América do Sul que deixa torturadores da ditadura militar passear no shopping tranquilamente?

A revolução que Francisco prega não me representa!

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