Haddad e o nó de Górdio

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foco prefeito, foco…

Por Murilo Silva

Fernando Haddad está entre a cruz e a caldeirinha.

Depois de uma vitória eleitoral espetacular no ano passado, o prefeito se vê na necessidade de recuperar território.

Isso porque 2012, caro colaborador, está mais longe do que deveria estar, passados apenas 10 meses desde o triunfo petista na capital paulista.

Trata-se de um caso não raro – mas, agudo – de descompasso entre o time político e o tempo cronológico.

Com base em um estudo da FGV, o prefeito Haddad propôs está semana a criação de uma nova CIDE, sobre o preço da gasolina.

Um novo imposto para um velho problema.

Segundo o estudo da GV, um aumento de R$ 0,50 no litro da gasolina possibilitaria um subsídio de R$ 1,20 ao transporte público. Com isso, a passagem poderia custar R$ 1,80.

Esse blogueiro já defendeu aqui, antes das manifestações de junho, que o transporte privado financiasse o público.

Mas na atual conjuntura política, a proposta do prefeito se mostra quixotesca no pior sentido da palavra.

Não precisa ser um João Santana para perceber que o prefeito não tem condições política sequer para propor tal coisa.

Haddad inventa com isso o populismo impopular.

Uma solução “fácil”, para atender um anseio do povo, mas que, ao mesmo tempo, não encontra amparo popular.

A antipatia aos imposto é supra-classista – e dá para se entender o porque…

A gasolina já é uma campeã em tributos.

Resta perguntar:

1 – Haddad se mostra arrojado ao propor uma medida para resolver de fato o problema?

2 – Haddad se mostra tímido ao propor uma medida sabidamente inviável, como forma de lavar as mãos?

Para este editor, parece se tratar da segunda hipótese.

Se apresenta para sociedade duas opções, e ela escolhe entre o que ela não quer e o que ela não quer menos ainda.

Com isso, Haddad não encara o nó.

O nó do transporte, caro colaborador, é o empresário, o lucro.

Se se trata de medida estruturante, por que não falar em estatizar o transporte público?

Se é público, não precisa ter lucro.

O nó, meu caro colaborador, é por essência um problema, mas também costuma ser uma oportunidade.

Reza a lenda, que o rei da Frígia (Ásia Menor) morreu sem deixar herdeiros.

Os ministros e conselheiros recorreram ao Oráculo que anunciou que o sucessor chegaria à cidade numa carroça.

A profecia foi cumprida por um camponês chamado Górdio, que foi coroado.

Para não esquecer de seu passado, Górdio mandou colocar a carroça no templo de Zeus. E a amarrou com um nó a uma coluna, nó este impossível de se desatar.

Quando Górdio morreu, seu filho, Midas, assumiu o trono. Midas expandiu o império, porém, ao falecer, não deixou herdeiros.

O Oráculo foi ouvido novamente e declarou que quem desatasse o nó de Górdio dominaria toda a Ásia Menor.

Séculos se passaram sem que ninguém conseguisse realizar esse feito, até que em 334 A.C, um certo Alexandre, o Grande, ouviu essa lenda ao passar pela Frígia.

Intrigado, foi até o templo de Zeus contemplar o enigma.

Após muito analisar sobre as possíveis soluções para desatar o indesatável emaranhado de cordas, Alexandre desembainhou sua espada e cortou o nó.

Alexandre se tornaria depois (pela espada) senhor de toda a Ásia Menor.

Por vezes, caro colaborador, o que o problema pede é coragem e nada mais.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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