A homofobia no futebol e a revolução nos costumes

Na foto, o momento em que Marco Feliciano teve orgulho da Fiel

Por Bruno Pavan

Muitos acadêmicos tem a estranha mania de olhar de cima pra baixo para um país como o Brasil e desdenham do futebol.

Para eles o esporte é só uma forma de alienar o povo.

O brasileiro só vai acordar para a exploração que sofre quando parar de ver futebol e novela.

Como se o capitalismo respeitasse essas instituições para explorar alguém.

Este editor vê o futebol com outros olhos, não como instrumento de alienação social mas, sim, como termômetro social.

Nesta semana o atacante do Corinthians Emerson Sheik postou uma foto dele dando um selinho em um amigo, dono de um restaurante.

Emerson não é gay. Pelo contrário, encarna o típico jogador de futebol brasileiro, aquele que “pega” dezenas de artistas por ano.

A foto, jogada de marketing do camisa 11 ou não, jogou na cara da sociedade o que ela se recusa a ver: somos preconceituosos.

Feliciano nos representa mais do que imaginamos.

Muitos vivem na doce ilusão de que no esporte bretão não existem homossexuais.

Legal é fazer pose de  tolerante, dizer que apoia todas as formas de amor, mas virar um Feliciano da vida quando o debate tem no centro o esporte bretão.

Ou seu próprio time do coração.

O termômetro social do futebol mostra que 66% dos torcedores não aceitariam um jogador gay em sua equipe.

O percentual que rejeita o casamento gay é de 57%.

Ou seja, existe uma parcela da população que apoia o casamento gay, mas não quer ver nenhum gay jogando em seu clube.

Os gays sempre foram excluídos do futebol em qualquer aspecto.

Nas arquibancadas, na cartolagem, nas comissões técnicas e , lógico, dentro de campo.

Os olhos do torcedor machão que quer mostrar sua heterossexualidade no grito, continuam fechados para essa questão.

“Lugar de viado é na moda”, dizem.

Engraçado é o fato de que muitos deles pregam revoluções no modo de fazer política etc etc, mas quando a “revolução” é um selinho em outro homem, aí não!

Que voltem pro armário, essa instituição quase milenar.

Vão ser felizes lá e não mecham com a minha alegria do domingo.

Mais fácil, como bem disse Zeca Baleiro, “mimeografar o passado que imprimir o futuro”.

Imprimir um futuro significa mudar as tintas.

Deixar coisas para trás.

Admitir que estava errado em algumas delas.

Fazer a pequena revolução nos seus costumes.

Mas é sempre mais fácil terceirizar o nosso pesado fardo nas costas de quem “não faz nada pelo povo”.

Enquanto você marginaliza quem gosta de pessoas do mesmo sexo.

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