O PT do passado se vinga do PT do presente

O PT não opta pelo PT

Por Bruno Pavan

O ministro do STF, Luiz Roberto Barroso, declarou ontem (28) no julgamento dos embargos do Mensalão que lamentava  “condenar um homem que participou da resistência à ditadura no Brasil”, se referindo a José Genoíno.

O PT, para levar Lula ao poder depois de tantas derrotas, optou, como no belo anúncio aí em cima, pela rejeição de alguns valores antigos do partido.

Buscou o caminho das reformas dentro da constituição e não o de uma “revolução” no jeito de fazer política.

Se tornou refém da própria covardia, agora, que se vê com uma numerosa bancada no Congresso Nacional sem conseguir aprovar nada de seu interesse.

Também nesta quarta-feira (28) a Câmara dos Vereadores de São Paulo barrou pela terceira vez uma homenagem a Rota, o BOPE da paulicéia.

Vereadores do PT votaram contra e, como isso não estava no acordo, os vereadores revidaram a atitude rebelde do partido e não votaram o pacote do governo que previa mudanças no ISS e no IPTU para a zona leste da capital.

O Coronel Telhada, ex membro da Rota e autor do projeto da homenagem prometeu que irá obstruir qualquer projeto dos 14 vereadores que votaram contra.

Telhada ainda afirmou, talvez se esquecendo que não estava mais num batalhão mas, sim, numa casa democrática: “Antes falavam que haviam acordos (para votação). Agora não tem mais acordo. Quem faz acordo é bandido, e a Rota não faz acordo com ninguém.”

Isso que tornou a nossa democracia, caro colaborador.

E o PT que não se faça de falso modesto: ele tem participação nesse processo fidagal que virou as casas democráticas do país.

Mais de uma década de realpolitik na veia da opinião pública, não passa impunemente.

Para o eleitor médio a atitude do PT nesse episódio é hipócrita.

E quem será o corajoso que tentará provar o contrário?

Por mais 1 minuto e meio na propaganda de Fernando Haddad, o prefeito e o ex-presidente Lula foram ao jardim de Paulo Maluf posar para foto.

Agora, os botões ficam curiosíssimos em saber: por que não aprovar a homenagem a Rota para votar os incentivos à zona leste?

Não foi o governo deste partido que recuou do kit anti homofobia nas escolas para não causar desconforto com a bancada igrejeira?

Não é este partido que apoia Renan Calheiros e José Sarney para a presidência do Senado por conta da governabilidade nossa de cada dia?

Não é este o partido que comanda um governo chamado de companheiro pela Kátia Abreu e de inimigo pela maioria dos movimentos sociais?

A vereadora petista Juliana Cardoso, que articulou o voto contra da bancada do partido, foi corajosa.

A Rota é um exemplo de herança da ditadura que ninguém quer mais ver por aqui.

O engraçado é que essa mesma Rota, não com o mesmo nome mas com os mesmos pensamentos, é que queria arrancar a cabeça de “Josés Genoinos” quando eles lutavam contra a ditadura.

Hoje a história encontra dois PTs, frente a frente.

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