Os protagonistas das lutas sociais

 

Por Bruno Pavan

A luta social talvez seja o tipo mais antigo de um povo, ou uma parcela dele, fincar o pé numa sociedade.

E acredito que elas existem desde que os homens aprenderam a se agrupar e aviver em conjunto.

Os que remam contra a maré, felizmente, sempre existiram.

Mas as redes sociais trazem à tona muitas coisas que antes estavam escondidas dos olhos moralistas da maioria.

Movimentos negros, feministas, LGBTs que antes ficavam escondidos em seus guetos, estão aí a poucos cliques de qualquer um.

Isso mexe com uma coisa na cabeça dos brancos, héteros e ricos brasileiros: eles não tem mais o protagonismo nas lutas sociais.

Abolição da escravatura e independência, pra ficar nos mais antigos, são exemplos de como acontecem as grandes mudanças na sociedade brasileira.

Zumbi e Tiradentes ficam com a parte dos “bem intencionados” nos livros de história.

Os heróis mesmo são uma princesa e um imperador.

As mudanças ocorreram de cima pra baixo.

O protagonismo nessas lutas é muito importante para o oprimido, ela é a mudança que ele deseja.

Mas isso não é aceito pelos “donos da bola” das lutas sociais.

“Se eu não for protagonista, essa luta não é minha”, berram os mimados.

Você, amigo colaborador, certamente conhece algum destes frustrados.

Eles também podem ser identificados como os pauteiros das lutas dos outros.

“Por que essas feministas, ao invés de fazerem marcha das vadias, não lutam por saúde?”

“Os negros estão indignados com o Danillo Gentilli? Não tem mais o que fazer?”

“Lá vão esses gays querendo acabar com a família tradicional. Um monte de promíscuo”

São frases sempre ditas por quem acha que tem o monopólio da preocupação social.

Negros, gays e mulheres, pra ficar nos exemplos listados, não querem só comida.

Querem comida, diversão e protagonismo nas suas lutas.

Atitudes passadas moldam atitudes futuras: se os inconfidentes tivessem conquistado a independência, a cultura da “cordilidade” brasileira teria nascido?

Será que esse processo negociado não influenciou episódios como, por exemplo, a saída da ditadura, que deu anistia para os torturadores?

Protagonismo para quem é protagonista, e quem quiser ir a luta para engrossar o coro, que saia.

Mas sabendo que, desta vez, serão coadjuvantes.

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