Os insondáveis mistérios do jornalismo econômico

Deu na Folha:

Volume total de crédito no país cresce 564% em dez anos

Com a expansão de 564% no volume total de crédito na última década no Brasil, os empréstimos passaram a representar 55,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em junho deste ano, ante 24,6% no mesmo mês em 2003, segundo pesquisa da Anefac (associação nacional dos executivos de finanças) com base nos dados do Banco Central.

“Apesar do avanço, o volume ainda é baixo quando comparado às principais economias, onde esse número atinge mais de 100% do PIB, o que demonstra que temos um ambiente favorável à expansão”, afirma Miguel de Oliveira, diretor da entidade.”

Editoria de Arte/Folhapress

Editoria de Arte/Folhapress

Notícia boa, não? Um dos principais gargalos do País, historicamente, sempre foi o acesso ao crédito.

Capital caro, ou seja, juros muito altos, com pouco dinheiro disponível para emprestar. Combinação que sustenta desde sempre uma elite rentista, pouco empreendedora.

Bom, parece que não é tão boa assim:

Na opinião de Paulo Roberto Feldmann, professor de economia da FEA/USP, um patamar mais condizente com a realidade brasileira seria entre 40% e 45% [do PiB disponível em crédito], já que o salto foi impulsionado pelo consumo.

“As pessoas ganharam renda e passaram a consumir. E os bancos viram nesse público uma forma de aumentar o volume”, diz, ressaltando a importância de observar o nível de endividamento das famílias, já que há a possibilidade de a renda cair por causa da ameaça de aumento do desemprego.”

O analista insinua que há uma bolha aí.

As pessoas estão emprestando o que não poderão pagar, os calotes gerariam um rombo que os bancos não poderiam arcar – foi o que houve em 2008 nos EUA, básica, bem basicamente.

Só que o endividamento nos Estados Unidos estavam em estratosféricos 180%, em 2008.

No mundo inteiro, o crédito supera os 100% do PiB dos países.

Nos EUA são mais de 100%, na zona do Euro 227%, mais de 4 vezes o do Brasil, que está em seguríssimos 55%.

A despeito do temor com o endividamento das famílias, demonstrado pela reportagem, a FEBRABAN – veja caro colaborador, a FEBRABAN ! – acaba de rever para baixo a inadimplência em 2013. (como mostra reportagem do Valor.)

O que o especialista sugere, ao diminuir o endividamento, é tirar o pé do acelerador.

Emprestar menos – ainda menos – aos pequenos empreendedores, aos novos consumidores, aos pobres que entraram no sistema bancário e que querem financiar a casa própria.

Diminuir o crédito é aumentar ainda mais os juros para sustentar uma burguesia rentista, avessa ao investimento, mal-acostumada com o lucro alto e ao risco baixo.

Houve um tempo que isso era até pecado. Hoje é encorajado no jornal.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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