Merkel a cinco votos do poder absoluto

IV Reich: virá pelos mercados?

IV Reich: virá pelos mercados?

Por Murilo Silva

A chanceler alemã, Angela Merkel, foi reeleita ontem para seu terceiro mandato.

No poder a oito anos, Merkel segue os passos de outra poderosa mulher que por muito tempo liderou a Europa, a amada Margaret Teacher.

Com uma expressiva vantagem, Merkel ficou a 5 votos de obter maioria absoluta no Parlamento. O que lhe permitiria formar um governo conservador ”puro-sangue”.

Como não alcançou a liderança absoluta, deverá compor aliança, como tem acontecido na Alemanha nas últimas eleições. Dessa vez, provavelmente, com os sociais-democratas de centro esquerda.

Contudo, a vitória massiva fortalece a política de austeridade que Merkel impõe à Europa, diminuído a influência da social-democracia na provável aliança.

Em texto publicado por esse Fora de Foco, em meados de abril, esse editor dizia que: ”Merkel queria governar a Europa.

Na ocasião, referindo-se à política de endividamento dos países vizinhos, Merkel havia declarado: “Parece que conseguimos encontrar soluções comuns quando estamos a olhar para o abismo” […]

Mas assim que a pressão diminui, todos dizem que querem seguir seu próprio caminho”  […]

Temos de estar preparados para aceitar que a Europa tem a palavra final em certas áreas. Caso contrário, não seremos capazes de continuar a construir a Europa”.

Como sugeriu esse editor na ocasião, se “certas áreas” significa determinar a política econômica dos estados vizinhos – ou como ela diz: “o caminho a seguir” – a “última palavra” que ela defende, ”deve ser da Europa”, na verdade é da Alemanha.

As eleições de ontem deixam essa realidade ainda mais explicita.

Enquanto 12 dos 17 governos da zona do Euro caíram de 2010 pra cá, por causa da política de austeridade imposta por Merkel, a Alemanha reconduz sua chanceler com maioria folgada.

Ou seja, enquanto Merkel prega que a Europa deve ter “a apalavra final” sobre política econômica – e não seus Estados de forma independente e soberana – há de se observar que, não só a Alemanha não é a Europa como a Alemanha é antagônica ao resto da Europa.

As diretrizes econômicas da zona do Euro estão colocando dois conceitos em choque direto: Globalização e Democracia.

A opção pela austeridade em nome do comércio comum da região, em nome da globalização, equivale a dizer que, nesse processo decisório, o voto de um alemão vale mais, muito mais, do que o voto de um grego; de um francês; italiano, etc.

Eles rejeitaram o modelo imposto pela Alemanha.

A vitória de Merkel é um sinal de que a austeridade será fortalecida, para os alemãs e para “resto”.

Embora Merkel tenha sido democraticamente eleita, sua vitória enfraquecesse ainda mais a combalida democracia européia.

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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