O brasileiro é ordem

Quantos desses estavam na palestra em que Chauí chamou os Black Bocs de facistas?

Por Bruno Pavan

Este editor participou de um estudo sociológico na manhã de hoje.

E chegou a conclusão que o “bom brasileiro” é mais da Ordem do que do Progresso.

Um dia após a manifestação dos professores no Rio de Janeiro, que terminou com gás de pimenta, a TV na frente da esteira que este editor corria sem sair do lugar estava sintonizada na Globo News.

Mas o cenário tinha mais um ponto curioso: a TV estava sem som.

Eu estava me informando pelas imagens e pelo GC, aquela faixa com texto que ilustra a matéria.

Assim que chegou, a faixa de texto informava: “centro do RJ amanhece com destruição depois de atos de vandalismo”, vandalismo de quem?, eu me perguntava enquanto corria…

Há poucos centímetros de mim, um aviso: “o tempo máximo de permanência na esteira é de 30 minutos.”

Mas este editor não parava, afinal, está alguns quilos acima do peso.

E a GloboNews também seguia firme e forte no seu objetivo: “Protesto no RJ termina com 4 PMs feridos e 17 pessoas presas”.

O Almeidinha, de Matheus Pichonelli, ou o nosso Ricardinho já tinha a frase de efeito pra regar seu almoço na “firma”.

“Olha só, a Polícia apanha também. Gente DE BEM (grifo dele) não aparece nessas badernas.”

Nessa hora esse editor, do alto de seu sobrepeso, lia enquanto ajeitava as anilhas: “mantenham os pesos em ordem decrescente, o próximo a usar pode ser você.”

A GloboNews também tinha saído do Rio de Janeiro e a charmosa apresentadora de óculos anunciava a ocupação da reitoria da USP pelos alunos.

No Rio de Janeiro ou na USP o recado era um só: voltem para casa!!!!

Protesto bom é aquele com atrizes da novela das 21h, vestindo luto (ou branco) contra a “pizza” do mensalão.

(Afinal, embargos infringentes são “encheção de linguiça”.)

Movimentos sociais não tem de ganhar diploma de bem comportado. Movimentos sociais tem que provocar mudança, tirar da zona de conforto, mascarados ou não, concordando você ou não.

Afinal, quem hoje legisla contra as máscaras, tira o chapéu (e com justiça) pra outros que entraram na clandestinidade para lutar contra um governo ditatorial.

Este editor não nutre simpatia por causas anarquistas.

Mas sabe que se não estiver ao lado dos mascarados e black bocs da vez, amanhã, como sabiamente disse Niemoller, pode ser tarde demais.

Muitas vezes o vândalo é o próprio estado, que não garante direitos que deveria garantir.

Enquanto isso, as pessoas na sala de jantar (na academia, no caso) escutam o aviso: “higienize o aparelho após o uso. Respeite os outros usuários”.

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