Marina no Jô: “sigam-me os bons”

caiu na REDE é peixe

caiu na REDE é peixe

Por Bruno Pavan e Murilo Silva

Este blog sabe da importância de Marina Silva para política brasileira.

Este blog reconhece que, embora conservadora nos costumes, Marina nunca o foi em prejuízo a sua opção pelos mais pobres. O que a colocou no que há de mais genuíno na esquerda brasileira, na luta pelos povos da floresta, ao lado de Chico Mendes.

Essa é uma particularidade da política brasileira. Na Inglaterra é muito mais fácil, o pensamento liberal é cristalino – você sabe o que esperar de um liberal, como sabe o que esperar de um conservador, ou de um trabalhista.

Aqui somos mais complexos.

Uma mistura de catolicismo com candomblé.

O sujeito pode ser ultraliberal no comportamento e, ao mesmo tempo, ultra-ortodoxico na economia – o que aqui representa uma opção pelos mais ricos.

Marina portanto, externa suas contradições como todos os indivíduos, mas nem por isso se torna incoerente no que acredita: é religiosa sim, com o seu povo, a quem defendeu por toda vida.

Contudo, Marina tem sido frontalmente incoerente no que faz, no meandro da política.

Na frustração da Rede, não encarou o verdadeiro motivo do fracasso. A Rede não é diferente, é igual.

Se Marina tivesse escolhido o caminho da sociedade civil, poderia ser uma Al Gore tupiniquim.

Seria, digamos assim, uma conselheira ambiental que qualquer governo que chegasse ao poder teria de ouvir. Poderia ser a reserva moral que ambiciona ser.

Mas ela escolheu o caminho da eleição pela eleição e para eleição.

Para isso, afundou o pé no pragmatismo (ou programatismo, nas palavras da ex-senadora) e se aliou ao PSB, tendo assim uma legenda para concorrer em 2014, seja como cabeça de chapa, seja como a vice cujo sem a benção não se governa.

Por mais inverossímil que pareça, no fundo Marina seria um Michel Temer ”do bem”.

Ontem, Marina estava no sofá do Jô Soares.

Foi um programa, digamos, chapa-verde.

Ela, que em 2010 foi a candidata dos alternativos pelo Brasil, foi apresentada ontem à Higienópolis.

Este blog acredita que hoje, na Praça Villaboim, não se fala em outra coisa.

Apoiadores de Marina Silva se ouriçam dentro de seus carros que fazem 4km por litro de gasolina, enquanto praguejam contra os corredores de ônibus da capital.

Com quatro blocos inteiros no programa do Jô, ela se apresentou, justificou a aliança com Campos, falou sobre o fato de ser criacionista e se comparou com Madre Teresa de Calcutá.

Nada de novo foi apresentado para quem acompanha o jogo político há algum tempo.

A única exceção – que não é bem uma novidade – mais é na verdade um discurso que está tomando corpo na candidatura Campos-Marina (ou vice-versa…).

Marina convocou no sofá do Jô ”os homens de bem” para governar. Os melhores do PT, com os melhores do PSDB e os demais “homens de boa vontade”.

A esse blog, lembrou Jânio Quadros.

Jânio foi a grande novidade da política dos anos 50. Um astro carismático, que como Marina, fazia sucesso com o público, naquela época, no rádio.

Jânio já havia inventado a política nova – já naquela época.

Através do carisma de Jânio, a UDN venceu os chamados situacionista, que vinham desde Getúlio.

A UDN, como se sabe, venceu, mas não levou.

Jânio não era da UDN.

O Jânio era o Jânio: uma espécie de Rede analógica.

O resultado é História. Dois meses depois de eleito, os ”homens de bem” da UDN já estavam na oposição. E os homens de ”bem” do PSD e PTB, que Jânio convidou a participar do governo, já estavam pensando na sucessão do presidente isolado.

Marina entrou ontem com Jô Soares nas salas de Higienópolis para conclamar os ”Homens de Bem”.

Junto com ela, Eduardo Campos, com seus olhos azuis, entra também.

Eles já tem muitos dos “Homens de Bens”: Itaú; Guilherme Leal; da indústria pesada que adora Campos, e agora, pelo jeito, os Marinho também.

O programa de Marina – dela que sempre optou pelos pobres – é incoerente com sua trajetória de vida.

É uma nova aliança entre os ”Homens de Bem” e os ”Homens de Bens”.

A conferir.

Anúncios

Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
Esse post foi publicado em Brasil, Mídia, Política e marcado , , , , , , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s