Eduardo e Marina: a pavimentação da terceira via

 

Por Bruno Pavan

Marina Silva é a bola da vez na agenda política nacional.

A ex-senadora, que foi dona de 20 milhões de votos em 2010, apareceu, em menos de uma semana, nos dois programas de entrevistas mais influentes do país: Jô Soares e Roda Viva.

Sem discutir a qualidade de ambos, Marina está sendo apresentada, novamente, para o grande público.

Dona de um carisma indiscutível, ao que parece, o discurso dela ganhou força de 2010 pra cá.

E o que ganhou força também foi a ideia da terceira via, antes presente com mais força só em grotões “alternativos e verdes” das capitais.

A doutoranda em psicologia Camila Pavanelli escreveu no blog  “Amalgama” um artigo sobre como a nova classe média é consequência quase que inevitável dos governos do PT.

Camila aponta para um rumo curioso das manifestações de junho: ao mesmo tempo que os descontentes pediam “sem partido”, eles levantavam bandeiras que pediam mais Estado na sua vida: como a melhoria do transporte, da saúde e da educação.

O ensaio diz muito mais que isso e pode ser lido aqui, mas este editor, que não é psicólogo, quer chamar atenção para outro ponto.

Em 2010 a ideia de terceira via era ainda um embrião que navegava por águas desconhecidas. Teve força para conseguir 20 milhões de votos e forçar um segundo turno. Mas precisava de mais.

A aliança Marina-Eduardo Campos, na visão deste editor, nada tem de programática (sic).

É bom lembrar que Marina estará no palanque de Jorge Bornhausen que, acredito, não compartilha da ideia de Brasil da ex-senadora.

Mas Eduardo campos é a política dessa aliança e tendo um atual governador ao lado, os “sonháticos verdes” terão que colocar o pé no chão, porque um eventual teto de vidro estará mais exposto.

Ao mesmo tempo, um caminho para a terceira via está mais pavimentado hoje por conta de dois motivos: a economia parou e o governo Dilma que vira cada vez mais para a direita.

Conquistar a segunda parte desses eleitores é mais difícil: eles olham com mais carinho para questões de direitos humanos, talvez o ponto que Marina mais escorregue.

Já a primeira parte, dos que compravam muito com Lula e hoje não compram tanto, está doida por um flerte com algo diferente.

Eduardo Campos tem números para mostrar: Pernambuco foi um dos estados que mais cresceu de 2006 pra cá. Pode tirar essa carta da manga para mostrar, por exemplo, que será um herdeiro muito mais eficaz do lulismo que que foi Dilma Rousseff.

Como naquela música infantil, Eduardo é o ladrilhador da terceira via e Marina é quem passa.

Clique aqui e leia como Dilma traiu Getúlio.

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