O rosnar da imprensa

Por Bruno Pavan

O jornalismo é mesmo imponderável.

Quem diria que, em meio a uma crise de identidade, onde não se sabe o que vai ser da profissão daqui a dois anos, a imprensa traça um caminho para se salvar: uma guinada à direita.

A explicação pode estar naquilo que esse editor chamou de jornalismo Meme.

Não se faz mais jornalismo para informar, não se faz mais discursos para esclarecer: querem que falem o que a concordamos para que os raivosos cuspidores de hashtags digam: “É isso”, “Falou tudo” etc.

Mas, o amigo colaborador mais atento nessa hora já está inquieto na cadeira e grita: “ei, mas isso acontece na esquerda também”, e este editor, que está na santa paz de um domingo em casa depois de um cochilo, concorda plenamente.

É por isso que hoje de manhã eu me surpreendi com uma chamada de um texto de Miriam Leitão no Twitter sobre o empobrecimento do debate no Brasil.

Miriam começa o seu texto sendo muito bondosa com a nossa sociedade afirmando que: “o Brasil não está ficando burro”. Será?

E é mais uma das celebridades que pode figurar no Hall “Você Viu Primeiro No Fora de Foco” que já havia alertado para o Fla-Flu partidário meses atrás.

Aplaudiu Suzana Singer que chamou Reinaldo Azevedo de “rottweiller” e também atacou os que chamam de “privataria” as vendas das estatais no governo FHC. Declara que as acusações são “maniqueístas” e que “não veem nuances e complexidades”.

E como um rascunho dos dias de hoje, encontrei o texto de Antonio Prata “Guinada à direita” junto com um comentário raivoso.

Prata comprova que a galera do lado esquerdo também não é muito boa em interpretar ironias.

O texto é uma peça rara, Prata escreve vestindo a roupa da Folha de S.Paulo num texto que, para ser honesto com os leitores, deveria estar na página dois, a dos editoriais.

“Peço perdão aos antigos leitores, desde já, se minha nova persona não lhes agradar, mas no pé que as coisas estão é preciso não apenas ser reacionário, mas sê-lo de modo grosseiro, raivoso e estridente”, escreve o colunista.

Quase todas as famílias tem algum (ou alguns) reaças pra chamar de seus: Lobão e Rodrigo Constantino estão na Veja e o segundo ainda contem coluna em papel no Globo. Reinaldo Azevedo agora além de “rosnar” (de acordo com Miriam Leitão) em seu blog na Veja escreve também na Folha de S.Paulo.

Hoje em dia, parece que há espaço na imprensa para os dois lados da moeda o que não há é espaço para se ser honesto consigo mesmo.

E o jornalismo, como apontou o presidente do Supremo Joaquim Barbosa, chafurda na lama.

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2 respostas para O rosnar da imprensa

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