Próximo passo

Aproximando, mas ainda longe

Aproximando, mas ainda longe

Por Murilo Silva

Semana passada, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, lançou dados expressivos sobre o combate à pobreza extrema e sobre a distribuição de renda. Tratava-se dos 10 anos do Bolsa Família.

No mesmo dia do lançamento do livro de 500 páginas, com os dados do programa, o líder da oposição, o senador Aécio Neves, propôs no Senado incluir o Bolsa Família na Lei Geral de Assistência Social – tornado o beneficio um direito perene, garantido por lei.

Trata-se do reconhecimento de um fato – o Bolsa Família combate a miséria e distribuí renda – e em política, caro colaborador, nenhuma força se sobrepõe ao fato. Por isso De Gaulle só o chamava, (o fato), de “vossa excelência o Fato”.

E outro fato posto é que, a História recente do Brasil, justa ou injustamente, está sendo escrita da seguinte forma:

José Sarney: a transição.

Fernando Collor: o erro.

Itamar Franco: uma nova transição.

Fernando Henrique: a estabilidade, o Real.

Lula/Dilma: A transferência de renda, e a construção de um grande mercado interno.

A pergunta de ouro é: o que vem depois?

Dados do Censo de 2010, divulgados essa semana pelo IBGE, mostram que, apesar dos avanços conquistados na Nova República, a vida do trabalhador urbano pobre ainda é muito pior que a do trabalhador médio inserido ao “centro” das cidades.

A situação dos pobres ainda tem muito o que melhorar, em especial do portão de casa para fora.

Do portão para dentro, as conquistas são notórias: eles tem emprego com carteira assinada; os filhos começam a chegar à universidade; eles tem bens de consumo duráveis como: fogão; geladeira; computador; celular; TV LCD; máquina de lavar automática; internet banda larga e até TV a cabo.

Os que ainda não tem, contam com o crédito para comprar – e compram, como compram!

Eles tem renda para encher a geladeira todo mês, tem segurança de consumo – ou seja, uma previsibilidade de preço proporcionada por uma inflação controlada. Muitos tem carro na garagem.

Do portão para dentro eles são a nova classe média. O problema está do portão para fora.

Quase 12 milhões de pessoas moram em favelas no Brasil, dessas, 66% são de classe média. 66% tem tudo o que está listado acima, mas 100% sofre com a coleta de lixo; com a falta de asfalto; com o calçamento ruim; com a falta de iluminação pública; com a falta de segurança pública; com a falta saneamento básico; com a falta de creche; com a falta de saúde; com a qualidade e com preço do transporte.

Enfim, com a falta de Estado.

Falta um Estado que sirva, e falta Estado que proteja.

Falta Estado na hora de conter a especulação imobiliária, que expulsa o trabalhador da cidade para suas extremidades.

Não raro, agentes do Estado vendem facilidades ao mercado imobiliário ao invés de lhe impor os tão necessários limites.

O mais recente escândalo na prefeitura de São Paulo é um exemplo.

Os assustador montante de 500 milhões, envolvidos na fraude da prefeitura, não é nada na vida dos cidadãos se comparado ao aumento de 185% no preço dos imoveis, nos últimos 5 anos, na capital paulista.

Aumento proporcionado por um mercado que atua em estado de natureza – em capitalismo selvagem.

O resultado dessa expulsão do centro é a proliferação dessas comunidades, chamadas pelo IBGE de “aglomerados subnormais”, pelas principais cidades do Brasil..

Esse aglomerados estão distribuídos por 232 municípios brasileiros. Mas 59% deles estão concentrados em cinco grandes regiões metropolitanas do País: São Paulo; Rio; Salvador; Recife e Belém.

Esse editor arrisca dizer que o ”próximo passo” da Nova República – em larga medida – foi dado pela rua, ao pedir mais Estado.

Lembra? Eles pediram mais saúde; educação e transporte.

Pediram também menos impostos – parece incompatível, mas não é.

Não está bem formulado, mas a sensação está correta. Eles querem uma distribuição mais justa dos impostos – com quem pode mais pagando mais.

O IPTU do prefeito Haddad, sancionado hoje (06), é um exemplo disso.

A redistribuição do IPTU é um exemplo do que deve ser o ”próximo passo”. Uma política onde – para usar uma gíria carioca – o asfalto financie o morro. Enquanto, tradicionalmente, ocorre o contrário.

O ”próximo passo”, é uma política de Estado voltada para os municípios e regiões metropolitanas – que é onde as pessoas moram. Uma política ”macro” voltada para o “micro”.

O Brasil marcha para se tornar um país de “classe média” – no poder de consumo. O ”próximo passo” é tornar esse poder de consumo em cidadania plena.

O ”próximo passo” é trazer o padrão conquistado do lado de dentro do portão para o lado de fora dele (o tal do padrão FIFA).

@MuriloSH

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Sobre Murilo Silva

Jornalista por acidente.
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