Quem foca demais, dança de menos

Por Bruno Pavan

Este editor estava na manhã de hoje peregrinando pelo Twitter quando reparou que todos falavam de Lulu.

A primeira vista eu pensei que se tratasse do Santos, o cantor mas logo percebeu que não era.

Depois fui saber que se tratava de um clube da Luluzinha em formato de app onde as mulheres qualificam os homens de acordo com uma série de quesitos.

Se ele fica muito tempo no vídeo-game, se é egoísta, se só pensa na ex ou se bebe muito.

A imaginação deste limitado editor faz acreditar que seja uma espécie de conversa de banheiro institucionalizada.

O app gerou inúmeras reações dos homens nas redes sociais.

Alguns se queixaram de objetificação dos homens, como se nós não tivéssemos séculos a frente nesse quesito.

Para saber mais sobre esse aspecto do debate, recomendo o texto da Juliana Bueno sobre machismo, feminismo e a nossa geração das redes sociais.

E aqui para ler “Clube da Lulu e a objetificação masculina”, da Ana Freitas.

O motivo do meu texto é outro, é um manifesto em defesa dos Canalhas.

O Canalha (com C maiúsculo, não se esqueça) é uma instituição amorosa.

A representante feminina dele é a Periguete (com P maiúsculo).

Ambos são os “erros” necessários no jogo da vida.

Ele é aquele que a sua mãe te pede para ter cuidado, mas te puxa pra dançar um forró e te deixa sem ar.

Ela é aquela do vestido curto com o olhar fulminante de “te quero” que faz o último macho alfa gemer sem sentir dor.

É necessário algum plano estatal que proteja essas espécies que estão ficando tão malfadadas nos bares por aí.

Este editor já falou da pimenta, que pode estar no culote, no sambinha sem jeito, na barriga mais saliente ou na falta de cabelos.

O Canalha e a Periguete são como aquela luz que não produz sombra. Sem prometer nada chegam cheios de autossuficiência e desarmam a retranca mais bem montada com quantos volantes e zagueiros forem possíveis.

A otimização quer chegar até nas relações interpessoais.

Não temos tempo a perder, diz o outro, por isso abro um app qualquer e vejo quem é ou não digno do meu approach.

Este blog, fui saber depois, não se chama “Fora de Foco” gratuitamente.

O que pra alguns pode ser um defeito, o de não se concentrar, pra este editor é um belo de um elogio.

“O foco desmerece a inteligência e compromete os valores que são nossa verdadeira definição”, disse Clovis de Barros Filho.

Não temos direito ao erro.

E o tempo, senhoras e senhores, é feito pra ser perdido.

A maioria já perde tempo, 10, 12 horas por dia no escritório olhando para o computador e ninguém acha isso grave demais, pra sair dali e termos o encontro mais perfeito com um cara nota 9 no Lulu, ou uma mulher que “se dá ao respeito” e que “não dê de primeira”.

Como diz Lulu, o Santos, “vamos viver tudo que há pra viver, vamos nos permitir”.

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Uma resposta para Quem foca demais, dança de menos

  1. Nem tanto ao Lulu, nem tanto ao lulu. Vamos nos permitir nos desaconselhar.

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