Os cães ladram, mas a Comissão da Verdade vai passar

Exumação do corpo do ex-presidente João Goulart

Por Bruno Pavan

De uns tempos pra cá, milicos e simpatizantes do golpe de 64 vestiram suas pantufas e foram a luta.

Por conta de Comissão da Verdade, instalada no governo Dilma para solucionar crimes da ditadura, jornalistas saudosos, roqueiros caninos e até humoristas tem dado as mãos contra o que, na visão deles, é uma onda de coitadismo de quem só teve algumas unhas arrancadas.

Todos estes merecem uns bons 10 minutos de história.

Pois bem, este mesmo espaço já disse, há muito tempo atrás, que o brasileiro não deve ter medo de olhar pra trás e virar estátuas de sal. Nenhum país consegue fazer um futuro esquecendo do passado.

A comissão da Verdade, apesar de não poder punir ninguém pelos crimes na ditadura militar, avançou em aspectos sensíveis para entendermos o nosso passado.

Primeiro, mudou o prontuário de Vladimir Herzog. Agora o jornalista não mais se suicidou, como a história oficial nos queria fazer acreditar, mas foi torturado e assassinado.

Depois, uma outra grande vitória foi a exumação de Jango para que sua morte no exílio em 1976 na Argentina seja investigada. Ele, que foi o alvo do golpe em 64, terá seu cargo devolvido simbolicamente pelo Congresso Nacional em sessão nesta quarta-feira (11/12).

Hoje (10/12) a Comissão da Verdade da Câmara da São Paulo declarou que, analisando uma série de provas, o ex-presidente Juscelino Kubitschek também foi assassinado por uma conspiração urdida por João Figueiredo e o Serviço Nacional de Informação (SNI). Entre as provas, está um fragmento de metal na cabeça do motorista de JK, Geraldo Ribeiro, que o teria feito perder o controle do carro onde estavam.

Coincidentemente, hoje também se comemora 30 anos do fim da ditadura militar argentina, país em que Videla, ditador que comandou o país entre 1976 a 1981, morreu na cadeia depois de ser condenado a prisão perpétua.

O jornalista Ariel Palacios escreveu hoje em seu blog o que ele mesmo chama de “ pequeno manual sobre o modus operandi do regime.”

O texto é longo e revoltante, mas eu destaco, na parte de torturas promovidas pelo estado, que as mulheres poderiam escolher ser estuprada “ou receber choques na parte interna da vagina e do ânus”.

Por isso que é boçal e irresponsável o argumento que considera revanchismo por parte da esquerda no Brasil as investigações da Comissão da Verdade e de que devemos seguir em frente.

E o fato das investigações estarem tirando tanta gente do sério é a prova cabal de que elas não devem parar.

Até, quem sabe um dia, o Supremo derrubar a anistia que foi escrita pelos torturadores e começar, assim como todos os vizinhos da América do Sul, a punir quem deva ser punido.  

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